Balneário Camboriú - Tudo que Larri Passos não quer é comparações do jovem Tiago Fernandes, campeão do Aberto da Austrália juvenil, com Gustavo Kuerten, eterno detentor de três títulos de Roland Garros. Mas a imprensa não resiste, os fãs têm saudade do ídolo e realmente não há como negar que a nova estrela do tênis brasileiro tem muita coisa em comum com Guga. Até o próprio Larri por vezes escorrega, sai de trás do personagem de técnico exigente e disciplinador e, como bom analista, é obrigado a admitir.
''O caminho é o mesmo. Só que vejo o Tiago hoje com muito menos pressão do que o Guga tinha em 98 (ano que teve de defender o primeiro título do Aberto da França)'', explicou Larri, que também está mais tranquilo, maduro aos 53 anos, pai de duas filhas e técnico respeitado no exterior (orientou a bela eslovaca Daniela Hantuchova no ano passado). ''Já sabemos como chegar lá. Todas as provações já passei com o Guga. Agora dá para se divertir bem mais''.
Ambos têm boa envergadura (Gustavo Kuerten tem 1,91m e Tiago Fernandes já está com 1,89m). O estilo de jogo dos dois campeões também é bastante semelhante. Agressivo, uma das preferências do exigente treinador. ''Gosto de jogador pegador'', confessou Larri, resvalando na comparação ao ídolo. ''A bola do Tiago tem tanto poder quanto a do Guga. Ainda vai fazer muitos ''buracos'' nos adversários'', reconheceu.
Gustavo Kuerten tinha no forte serviço e no golpe de esquerda os pontos mais fortes de seu jogo. Tiago Fernandes parece um Guga invertido. Saca bem, mas possui maior consistência mesmo é na batida de direita. Larri sorri quando a reportagem faz a comparação. ''É... A esquerda do Tiago tira o meu sono'', suspirou. ''Mas vamos conseguir corrigir, melhorar, fazer dela um golpe que leve mais problemas aos adversários. Fizemos isso com o Guga. O forte era sua esquerda, mas ele conseguia ganhar o pão dele com a direita. Esse é o próximo desafio do Tiago''.

Mesma exigência
Trabalho pesado para fazer do jovem um novo ídolo no tênis brasileiro não vai faltar. Larri pede que Tiago já esteja na quadra às 8 horas da manhã. Todo dia. Não importa se há sol forte ou chuva inclemente. É o mesmo que exigia de Guga. ''Só gosto de treino se é duro'', disse o tenista de 17 anos. ''É um ''cavalinho'' também'', comemorou o técnico, usando o mesmo apelido de seu antigo pupilo. ''Sou apenas um pônei ainda'', afirmou Tiago, humilde.
Larri nega-se também a mudar o planejamento que dava certo com Gustavo Kuerten. Por enquanto, o garoto joga torneios profissionais sem pressão. Tem todo um caminho para trilhar ainda nos juvenis. Bem como Guga fez antes do título em Roland Garros, em 1997, quando era apenas o 66.º do mundo e foi derrubando um favorito atrás do outro.
O jovem não nega: o que mais quer é seguir o caminho do campeão que se aposentou em 2008. ''Por tudo que conquistou e a pessoa que representa, o Guga é o meu exemplo'', contou o jovem tenista.
O alagoano mostra com o orgulho o troféu e um coala de pelúcia que ganhou no Aberto da Austrália. Mas seus olhos brilham mesmo ao mostrar o telefone celular. Lá está uma mensagem de texto, curta e muito significativa. ''Logo depois da final, ele (Guga) me mandou os parabéns''.

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