Travesseiro, uniforme, treinos... Romário tem regalias na seleção
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quinta-feira, 31 de agosto de 2000
Agência Folha De Teresópolis, RJ 
O atacante Romário tem uma rotina diferente da de seus companheiros na seleção brasileira. Apesar de o técnico Wanderley Luxemburgo afirmar que não há privilégios aos jogadores, Romário manteve na Granja Comary as regalias que tem no Vasco.
Nos primeiros dias da preparação para a partida contra a Bolívia, no domingo, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa de 2002, o atacante foi o único que não participou dos treinos físicos.
Em dias de trabalhos sem bola, como na manhã de ontem, ele se limita a fazer exercícios de alongamento na sala de musculação. Avesso aos treinos, Romário se junta aos companheiros somente quando Luxemburgo quer preparar o time taticamente. Ele passou o final da manhã lendo jornais enquanto os outros jogadores corriam no campo da Granja Comary.
Para o médico da seleção, José Luiz Runco, é normal o atacante não treinar em dois turnos. O Romário tem um problema na cartilagem. Desde que ele sofreu uma cirurgia no joelho, em 1995, não treina em dois turnos. Mesmo assim, ele está bem, afirmou Runco.
Além de não participar de todos os treinos, o atacante faz questão de se isolar. Na quarta-feira, ele preferiu fazer o aquecimento com os jogadores do Teresópolis, que completaram o time reserva, a ficar com os companheiros.
Romário também gosta de treinar com um uniforme diferente. Ele usa um casaco amarelo, enquanto os outros se vestem de azul. O atacante exigiu até um travesseiro novo, levado para ele na Granja Comary por amigos.
Até a convocação de Romário, nenhum jogador teve tantas regalias com Luxemburgo. Apesar disso, o relacionamento do atacante com o técnico é conflituoso.
Vitória dos reservas Com muitas falhas na defesa, o time titular armado pelo técnico Luxemburgo decepcionou ontem no segundo treino coletivo realizado na Granja Comary. A equipe reserva, que foi completada por quatro jogadores do Teresópolis, venceu os titulares por 3 a 2. O time ainda está com a inhaca (mau cheiro, catinga, bodum, segundo o dicionário) do treino passado. Por isso, o treino não foi bom, justificou Luxemburgo.
Na quarta-feira, os titulares golearam os reservas por 4 a 0. Na ocasião, os atacantes Romário e Ronaldinho foram os destaques.
A defesa da seleção é um dos pontos fracos da equipe na competição. No dia 15, todos os jogadores do setor defensivo falharam na derrota para o Chile, por 3 a 0, em Santiago. Para a partida contra a Bolívia, Luxemburgo barrou quatro jogadores e manteve apenas o zagueiro Antônio Carlos.
Os gols do time reserva no treino de ontem foram marcados por Athirson e Marques (dois). Rivaldo e Vampeta anotaram para os titulares.
Pelas laterais Apesar de confiar na habilidade dos jogadores de frente, Luxemburgo tem as laterais como alternativa para superar uma provável retranca da Bolívia. Assim, ele pretende evitar que se repita o que aconteceu no jogo com o Uruguai, quando, embora contasse com três atacantes, a equipe brasileira ficou presa à marcação adversária. Nas duas laterais, há novos titulares, Cafu e Júnior, que já trabalharam com o treinador no Palmeiras.
A Bolívia deve ficar atrás e as laterais são uma opção para fugir da marcação, explicou Luxemburgo. A expectativa do treinador de enfrentar um time na defensiva tem duas razões: os adversários têm medo de se arriscar contra o Brasil fora de casa e as informações que o treinador está recebendo da equipe boliviana. Eles estão enfrentado alguns problemas, como a quase saída do técnico.


