Trapalhadas marcam Flamengo
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Por Sílvio Barsetti 
Rio, 27 (AE) - A recente demissão de Evaristo de Macedo, com a efetivação de Carlinhos como treinador do Flamengo, pode ser encarada como mais uma trapalhada do clube de maior torcida do País. Nos últimos 4 anos, o Flamengo trocou de técnico 11 vezes, contratou e dispensou dezenas de jogadores e não conseguiu nenhum título importante. Mais difícil ainda de entender é por que nomes como Marcelinho Carioca, Djalminha e Edmundo, desprezados pelo clube, obtiveram êxito longe da Gávea. Para alguns ex-ídolos do Flamengo, como o atacante Nunes, o clube às vezes peca pela pressa. "O Flamengo tem urgência de vencer sempre", observa.
O maior exemplo dessa situação grotesca aconteceu em 1995. O Flamengo juntou Romário, Edmundo e Sávio e anunciou a formação de um ataque dos sonhos para ganhar todos os títulos daquele ano. Edmundo veio do Palmeiras por US$ 6 milhões e Sávio teve um bom reajuste salarial para justificar a presença ao lado da dupla de bad boys - apelido de Edmundo e Romário por causa de algumas aventuras e entreveros que os dois viveram na noite carioca. No balanço do ano, o Flamengo contabilizou apenas o título da Taça Guanabara e ficou em 21.º lugar no Campeonato Brasileiro.
Para minimizar o fracasso, a direção do clube desfez-se dos técnicos Wanderley Luxemburgo e, depois, Edinho e contratou o radialista Washington Rodrigues para assumir o futebol do clube. Edmundo deixou o time para brilhar anos depois no Vasco, no qual conseguiu a façanha de ser o maior artilheiro da história do Campeonato Brasileiro (29 gols). Sávio também saiu do clube, ofuscado por Romário, para ser destaque no Real Madrid.
Em 1996, o Flamengo adquiriu, por empréstimo, o passe dos jogadores Robertinho e Chico, do Quixadá (CE). A dupla acertou salário em torno de R$ 2,5 mil, mas nenhum dos dois sequer jogou no time principal. Nessa época, o clube trouxe Bebeto e Júnior Baiano, mas negociou Romário com o Valencia, da Espanha. Na estréia do zagueiro, Bebeto perdeu pênalti e o Flamengo acabou goleado pelo Vasco por 4 a 1, com três gols de Edmundo. Ele exagerou na comemoração de um dos gols e mandou os rubro-negros calar-se.
O presidente eleito em dezembro, Edmundo Santos Silva, trata todos esses acontecimentos como fatos isolados. Ao dar autonomia ao gerente de Futebol, Gilmar Rinaldi, para cuidar dos problemas do futebol do Flamengo, quis adotar uma postura profissional, sem interferir no trabalho de Rinaldi. Mas o próprio dirigente foi o primeiro a dizer, em janeiro, que Evaristo de Macedo, por sua capacidade e seu passado no Flamengo, seria mantido no clube
ignorando a pouca disposição de Rinaldi em aceitar a permanência do técnico.


