Transformando vidas
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
Voltado para atletas com deficiência visual, o goalball é um esporte que vem fazendo a diferença na vida de 14 jogadores em Londrina. A equipe do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc/FEL) surgiu apenas há 4 anos, por meio de um projeto do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos em parceria com a Fundação de Esportes de Londrina e reúne atletas daqui e outras cidades da região. Ao todo, 14 pessoas participam do projeto. Dez atuam nas competições, seis homens e quatro mulheres.
Seja parcial ou total, todos compartilham a deficiência visual e têm em comum a mudança na qualidade de vida depois que iniciaram no esporte. Algo que, de acordo com o treinador Márcio Rafael da Silva, é bem perceptível no dia a dia, seja na parte física quanto na psicológica. ''Eles melhoram a audição, o tato e noção espacial. Além disso, se tornam mais independentes, se viram sozinhos, acabam se socializando mais e têm uma melhora muito grande na questão da autoestima'', explica.
É o caso de Eunice Souza, de 47 anos, que tem apenas 5% de visão no olho direito e participa do projeto desde o início. Ela conta que nunca foi muito adepta de esportes, mas depois de conhecer o goalball sentiu mudanças positivas na vida. ''Foi uma benção. Eu sofria muito, achava que era a pessoa mais sofredora do mundo. Agora gosto mais de mim e não vivo apenas em função dos filhos'', declara Eunice.
Ser mais independente também foi uma mudança importante na vida de Guilherme Almeida, 18 anos. O jovem também tem visão parcial do olho direito e afirma que antes do goalball precisava de ajuda da família para muita coisa. ''Eles sempre tinham que ir comigo até o ponto de ônibus, por exemplo, agora não, ando sozinho, pego o ônibus e sinto que é muito mais fácil de perceber os obstáculos no caminho. A noção espacial melhorou bastante'', afirma.
O jovem tem um exemplo a seguir dentro do time. Adenilson Vicente, 33 anos, já pratica o esporte há 10 anos e em 2010 ingressou na equipe de Londrina.
Morador de Jandaia do Sul (Norte), Vicente já competiu pela seleção brasileira e participou de um Pan-Americano, em 2005, e de um Campeonato Mundial, em 2007.
A deficiência visual total surgiu em 1998 em um acidente de carro. O ex-operador de máquinas agrícolas logo deu a volta por cima. ''Não tive muito tempo pra lamentar, percebi que não adiantava nada e já comecei a participar de várias atividades até que em 2001 comecei a jogar o goalball'', conta Vicente.
Conquistas
Assim como na vida, os atletas da Ilitc/Fel também se superam em quadra e representam bem Londrina nas competições. As últimas conquistas foram entre os dias 15 e 17 de julho, durante o Campeonato Regional Sul, realizado em Florianópolis (SC). Durante a competição, que é classificatória para o Campeonato Brasileiro, o time masculino foi campeão. ''É gratificante estar entre os seis melhores do Brasil'', afirma Vicente, que foi o artilheiro da competição com 25 gols.
A equipe feminina também mostra que tem talento. Ficou em segundo lugar nessa competição. Além disso, tem uma atleta treinando na seleção brasileira, a maringaense Gleyse Portioli.


