Muitos ex-jogadores da Associação Esportiva Jacarezinho ainda residem na cidade. Muitos chegaram de outras cidades e se apaixonaram pelo clube ou pelo município e resolveram ficar. Outros já eram de lá e mesmo jogando em clubes de outros locais retornaram para o Norte Pioneiro depois de encerrada a carreira.
Há também os casos em que a namorada foi a responsável pela ida do atleta para a Esportiva. Foi assim que o ex-zagueiro João Lemgruber de Oliveira, 78 anos, chegou ao time de Jacarezinho. Ele namorava a atual esposa, Mahysa Figueiredo Lemgruber de Oliveira, que era professora em Rolândia.
O carioca Lemgruber iniciou a carreira no Fluminense, em 1948. Quando seu contrato com o time das Laranjeiras terminou, recebeu o passe livre. Aceitando o convite de um amigo, o ex-zagueiro decidiu tentar a sorte no futebol de Rolândia. Lá conheceu Mahysa. Como ela foi transferida para uma escola de Jacarezinho, o carioca deu um jeito de arrumar ''uma boquinha'', no time da cidade.
Ele chegou em 52, no ano seguinte ao primeiro vice-campeoanto estadual. Técnico e de bom desarme, logo o zagueiro conseguiu uma vaga no time titular. ''Não joguei a final do Paranaense de 54. Tinha acabado de chegar da minha lua-de-mel e não estava em condições físicas. O Luís jogou no meu lugar'', conta Lemgruber.
Em 56, decepcionado com a licença pedida pelo clube à Federação Paranaense de Futebol (FPF), o zagueiro decidiu encerrar a carreira. ''Fiquei muito triste com esse episódio. A torcida era maravilhosa e não poderia ficar sem o time'', justifica.
Junto com o lateral-direito Edgar, o volante Oscar e o meia Hugo, Lemgruber foi convocado para a seleção paranaense em 53, mas, machucado, não pôde jogar.
Outro apaixonado pela Esportiva é o centroavante Miguel Saad, o Miguelão, 66 anos. Ele iniciou a carreira em 56, no clube, mas foi no Comercial de Cornélio Procópio que se deu bem. Por ironia do destino, o ex-atacante quase aprontou para cima da equipe de Jacarezinho. Ele participou do time do Comercial, campeão Paranaense de 61, que despachou a própria Esportiva no tringular final, mas não jogou a fase decisiva porque havia passado por uma cirurgia no joelho. No ano seguinte, retornou ao time do coração. ''Meu sonho era jogar na Esportiva e eu consegui. Era um prazer. Foi lá que assinei meu primeiro contrato como profissional'', relembra com saudosismo o ex-centroavante, que mora em Jacarezinho. (T.M.)

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