Enquanto a Receita Federal investiga os clubes do eixo Rio-São Paulo em relação à sonegação de impostos, no Paraná tudo anda em banho-maria. O ‘‘Leão’’ não está de olho nos clubes profissionais do Estado, nem mesmo depois das transações milionárias envolvendo o meia Adriano e o atacante Lucas (Atlético), do volante Mozart (Coritiba) e das acusações de sonegação fiscal do zagueiro Milton do Ó (Paraná Clube).
O delegado-substituto da delegacia de Curitiba, Virgílio Concetta, alega que, em virtude do sigilo fiscal, não pode se manifestar sobre o assunto. ‘‘Nosso trabalho é investigar a pessoa física e a pessoa jurídica. Em nenhum momento podemos divulgar informações sobre investigações.’’
Concetta admite que o Ministério Público, quando move uma ação, tem o poder constitucional para divulgá-la na imprensa. O mesmo não vale para Receita. O delegado explicou que no passado houve um trabalho. Só não soube explicar como acabou a investigação. ‘‘Foi antes de assumir meu posto aqui em Curitiba.’’
Sobre a negociação de atletas para o exterior, Concetta foi claro. ‘‘Se o dinheiro ficar lá fora, não há como a Receita investigar aqui no Brasil. Somente se o dinheiro chegar por aqui podemos investigar. Caso contrário somos reféns do sistema.’’
O chefe-substituto da Difis (Divisão de Fiscalização), Aldino Ferronato, admite que especificamente não há controle. ‘‘As empresas fazem os negócios e estão sujeitas à fiscalização, mas sem nenhum acompanhamento específico.’’
O Paraná Clube pode ter que se justificar na Receita Federal sobre o caso do zagueiro Milton do Ó. O atleta entrou na Justiça do Trabalho para ganhar o seu passe porque o clube não paga salários e ajuda de custo há dois meses – além de nove meses de luvas e de auxílio moradia. A ajuda de custo, luvas e auxílio moradia são formas de se receber um dinheiro invisível, não sujeito à tributação. ‘‘Todas as denúncias envolvendo sonegação fiscal, quando chegam à Vara do Trabalho, são repassadas à Receita Federal pelos juízes’’, explica Ferronato, dando entender que tanto o jogador como o tricolor poderão ser investigados por atitude ilícita.

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