As próximas semanas serão de trabalho intenso para quatro atletas do time de caiaque polo do Grilos Team/Iate Clube de Londrina. Também pudera. Não é todo dia que se tem a oportunidade de jogar um campeonato mundial defendendo as cores do seu país. E eles terão. Caio Rosa, Iago Gentil, Leonardo Colomera e Guilherme Rabelo estão entre os oito atletas que vão à França, de 22 a 28 de setembro, representar o selecionado nacional.
A convocação deles reafirma mais uma vez a tradição londrinense de formar jogadores para a seleção brasileira. Todos são formados na equipe do Iate Clube, que já venceu oito vezes o nacional. O quarteto forma a base do Grilos Team, time formado pela ala mais jovem e que, depois de tanto bater na trave, conseguiu em 2013 seu primeiro título brasileiro. O resultado chamou a atenção do técnico da seleção, Fernando Carazzato, que resolveu apostar nos londrinenses no processo de renovação pelo qual o time passa a partir deste ano.
A meta para 2014 é melhorar as posições das duas últimas participações brasileiras em mundiais - 18º na Itália, em 2010, e 22º na Polônia, em 2012. E para isso, eles acreditam bastante que o entrosamento pode ajudar. "Uma das nossas grandes dificuldades é reunir a seleção para treinar antes de campeonatos assim. E a gente, como já tem esse entrosamento pode facilitar um pouco", analisou Gentil, que vai para seu segundo mundial.
A expectativa é de que pelo menos duas semanas antes do torneio, o grupo todo se reúna para treinar. Eles também contam com a consultoria de um técnico francês, vice-campeão como jogador na Polônia, que já passou alguns treinos via internet e deve vir ao Brasil ainda este mês para um período de trabalho 'in loco'.
Quem vai pela primeira vez está encarando como a grande oportunidade da vida. "Fiquei até surpreso quando veio a convocação, afinal o Brasil conta com vários jogadores bem mais experientes, mas estou preparado. Somos atletas mais novos e estamos buscando o nosso espaço. A esperança é que gente chegue para ficar", disse Leonardo Colomera, de 22 anos, campeão pan-americano em 2013.
"Essa chance a gente tem buscado no dia a dia, com muito trabalho. É um momento importante para todos se firmarem. Mesmo sendo mais novos, sabemos da responsabilidade que é e vamos dar o nosso melhor", emenda Rabelo, que também vai debutar em mundiais.
Rosa, que também vai ao seu segundo mundial, ressalta o ganho de experiência. "Toda vez que vamos para um campeonato como esse tem algo novo a aprender e isso é muito importante, ainda mais para nós", frisa.
O Brasil está no grupo mais difícil da competição, junto com a Holanda, atual campeã europeia, Portugal, Suíça, Espanha e Japão. Ir à segunda fase já seria um título. Mas para isso o Brasil teria que ficar entre os três primeiros.
Mas a preparação não é a única preocupação que o quarteto terá nos próximos dias. Além de treinar, eles precisam se desdobrar também para conseguir recursos para viajar, já que a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) não banca e eles também não têm patrocinadores. A meta é levantar ao menos R$ 18 mil. "Estamos fazendo rifa de um notebook e vamos realizar um almoço também ainda este mês. O ideal seria um patrocinador, mas é muito difícil, e a gente se vira como pode", desabafou Colomera.

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