Trabalho de Sunye serviu de modelo para todo país
Tudo começou em 1979, quando Jaime Sunye Neto era um jovem estagiário da Fundação Educacional do Paraná (Fundepar) e o professor Guilherme Braga solicitou que desenvolvesse algum projeto que combinasse xadrez com educação. Tendo como ponto de partida experiências da Argentina, Alemanha, Cuba, França e Rússia passou estudar o formato que seria implantado primeiramente em quatro escolas de Curitiba.Era o que a gente chamava de projeto piloto, definiu.
Em 2003, o trabalho desenvolvido nas escolas do Paraná serviu como modelo para implantação do xadrez nas escolas de quase todos os estados do Brasil. Na época, o ministro da educação Cristovan Buarque resolveu utilizar a ideia em 25 estados, com excessão do Distrito Federal e São Paulo.
Dentro do processo educacional, Sunye Neto acredita que qualquer tipo de transformação é lenta, difícil e envolve mudança de hábitos. Utilizar atividades lúdicas para melhorar o desenvolvimento cognitivo de crianças era um método não ortodoxo, fato que tornou demorado o processo de convencimento dos profissionais da educação quanto a sua eficácia. No começo, poucas escolas aderiram e tivemos que, além de sensibilizar as autoridades, superar a barreira de conscientização de muitos pais que até tiravam os filhos do projeto, analisa.
Atualmente, Sunye Neto acredita que a recepção do projeto é totalmente oposta. É difícil encontrar pais e professores que não estejam conscientes do benefício que o xadrez proporciona. Os pais cobram isso na hora de matricular os filhos nas escolas e há consciência e demanda clara neste sentido, afirma.
O único problema que o desenvolvimento da prática do xadrez nas escolas é a disputa por uma fatia de recursos no orçamento com outras necessidades prioritárias como transporte, merenda e aquisição de livros didáticos. Por isso, Sunye Neto acredita que esperar por prioridades quanto ao ensino do xadrez ainda é distante, mas destaca exemplos como do Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, que utilizam recursos do orçamento próprio para desenvolver a prática, pois o governo federal destina a maior parte de numerário para custear o ensino superior. (R.O.)





