Trabalho com alto rendimento é complicado
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2013
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
Élber Giovani de Souza deixou Londrina ao 19 anos para brilhar no concorrido futebol europeu. Com seus 108 gols em 190 partidas, muitos deles fundamentais para a conquista de quatro campeonatos alemães, uma Liga dos Campeões e um Mundial de Clubes, cravou seu nome na história do Bayern de Munique. Agora, aos 40 anos, o ex-jogador, filiado ao Democratas, assume seu maior desafio depois de pendurar as chuteiras: cravar seu nome definitivamente na história londrinense. Como? Salvando o esporte da cidade, que agoniza. O ex-atacante assumiu ontem a presidência da Fundação de Esportes de Londrina (FEL).
A crise política vivida por Londrina no último mandato do executivo municipal respingou nas equipes e eventos esportivos da cidade. O mandato do prefeito cassado, Homero Barbosa Neto (PDT), foi marcado pela pressão para a participação das equipes da cidade em ligas nacionais, mas sem o respaldo técnico e financeiro necessário. O resultado foram vexames dentro e fora de quadra em várias das modalidades, com campanhas pífias, calote nos atletas e muitas trocas de acusações. A cidade ainda perdeu eventos importantes, que além da projeção do nome de Londrina no cenário nacional, traziam retorno financeiro para a economia local, principalmente no automobilismo. Em 2013, Londrina corre o risco de não ter nenhuma equipe em competições nacionais, além de ficar de fora do calendário da GT3 Brasil, da Stock Car e do Brasileiro de Marcas.
Para reverter essas duas situações, a política do novo dirigente é bastante antagônica em relação às gestões passadas. Quer investir na base e buscar parcerias fora para os eventos importantes.
Élber começa a tomar ciência do trabalho a partir de hoje. ''Por enquanto só dei uma olhada na pasta de transição. Tem muitos projetos bons que temos que ficar em cima para a execução'', afirmou.
Um desses projetos é o de incentivar a prática esportiva nas escolas, aproveitando o contraturno. ''O que penso é o esporte na escola em tempo integral para as crianças terem oportunidade de estudar e depois não saírem da escola, já fazerem um trabalho físico'', apontou.
Porém, para isso, será preciso investimentos nas instalações esportivas, como o próprio novo presidente já levantou. Segundo ele, há locais necessitando de reforma, principalmente quadras de bairros. ''Pelo que já escutei, as quadras estão sendo mal utilizadas. Nos bairros, há quadras a serem reparadas'', adiantou.
Ao invés de investir em esporte de alto rendimento, o ex-jogador vê na promoção de oportunidades esportivas para crianças e adolescentes uma possível salvação a longo prazo do esporte local, concentrando investimentos na formação de atletas, que quando estiverem prontos, formarão as futuras equipes que defenderão a cidade. ''A gente viu que o trabalho com alto rendimento é complicado. Querendo ou não, é um dinheiro alto e um investimento que não deixa legado algum para a cidade'', analisou. ''Falando de fora, o que vi são pessoas que vêm aqui defender o nome da cidade, mas que não são da cidade. Ano passado jogaram como o nome e a camisa do São Paulo e isso não deixa legado nenhum'', completou, referindo-se à parceria entre Colégio Londrinense e São Paulo para a disputa da Liga Futsal de 2012.
Ele usa o exemplo de Maringá para justificar sua posição. ''Temos que incentivar as crianças a crescerem junto com o esporte e aí partir para o alto rendimento, mas isso leva tempo. Maringá começou a fortalecer o esporte dentro da cidade e hoje tem centro de treinamentos espetacular, se destaca nos Jogos Abertos com atletas locais'', comentou.
Para o alto rendimento, a ideia do novo mandatário da FEL é criar um departamento de marketing dentro da entidade para auxiliar as equipes na captação e administração de patrocínios privados. Nos últimos anos, a FEL era apenas o orgão que recebia a verba da prefeitura e fazia o repasse às equipes, sem um departamento específico para fomentar e potencializar esses investimentos. ''Penso em ter um setor de marketing dentro da FEL para captação do dinheiro e para mostrar esse retorno. Vim do futebol e, hoje, os grandes clubes que estão bem são os que tem um setor de marketing muito forte. É peça fundamental'', reforçou.
Dentro desta filosofia, está a intenção de ajudar atletas que se destacam a estruturarem os treinamentos em busca de resultados e tentar colocar o maior número possível de londrinenses nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. ''Temos muitos atletas em potencial, que precisam de incentivo para melhorar cada vez mais, no caratê, no judô, no sumô e em outras modalidades'', observou.
Eventos esportivos
Élber conta que desde quando seu nome começou a ser especulado como presidente da FEL, ele passou a receber sondagens de empresas para projetos e eventos na cidade. Um deles envolve a montadora alemã Volkswagen. No próximo dia 24, ele tem um encontro com a cúpula da empresa em São Paulo. ''Estão querendo fazer um trabalho para a Copa do Mundo e posso ser embaixador deles para o esporte e a socialização dos jovens. É um projeto bacana, que quero ajudar'', antecipou.
O novo presidente também recebeu a incumbência de levar uma equipe londrinense para a disputa de um torneio Sub-20 na Alemanha, em janeiro de 2014. Élber já fez o convite ao Londrina.


