Parri, Parri, je teime! Mamãe eu tô aqui. Já vi uns trocentos jogos. Tudo nos telões, é claro, porque até agora não consegui descolar um único ingresso. Já falei até com o Galvão Bueno. Mas esses caras da TV são muito mascarados. Lá no Brasil entram todo dia na tua sala, são bem recebidos. Quando estão no exterior fingem que não te conhecem.
Vou contar uma coisa pra vocês: ver jogos nos parques é o maior barato. Que futebol, que nada! Eu tô mais preocupado é em pegar umas minas. Com esses restaurantes maravilhosos e essa ‘‘muierada’’ do mundo inteiro, Paris é uma gandaia. Mas os restaurantes são muito caros e até agora não consegui comer ninguém. Vim duro e continuo duro.
Minha esperança é o clima de confraternização com as dinamáquinas. Cara, a torcida feminina do nosso próximo adversário parece a sessão de sacanagem na locadora de vídeo! Nunca vi tanta loira gostosa!
Um panaca amigo meu tentou ontem azarar umas dinamarquesas, não deu nada. Aí saiu com aquele papo: ‘‘Acabei de confirmar a tese de que a burrice das loiras é universal. Tentei inglês, francês e até esperanto, mas elas não entendem nada do que eu falo’’. Dali a pouco vimos uma loirinha toda solta, abraçada com um crioulo de verde-amarelo. Como dizia Jean Paul Sartre, o problema não é de fala, é de falo.
Os dinamarqueses até que são simpáticos. Mas tô fora! Aliás, eu sempre preferi os dálmatas e os huskys siberianos.
Bom, ontem o programa do dia era secar a Argentina. Mas aí tinha umas hermanas mui guapas lá no parque e a gente foi seco pra cima delas. Ar-rren-ti-na! Ar-rren-tina! Elas foram bem receptivas e propuseram uma troca de camisetas. Na hora imaginei que ia pintar uma sacanagem e já fui arrancando a minha amarelinha número 9. Meu amigo panaca fez a mesma coisa. As gatas traziam outras duas camisas azuis e brancas nas bolsas. Sei que se eu tiver algum futuro, isto pode manchar o meu passado. Mas por mulher a gente faz qualquer besteira. Alguns até se casam com elas. Confesso: vesti a camiseta do Batistuta.
O papo era promissor, aquilo podia até render uma latinidad explícita. O problema foi que apareceram uns hooligans dando porrada em todo mundo que estivesse com as cores da Argentina. Eu gritei que não tinha nada a ver, que morava em Taubaté, mas aqueles caras são muito ignorantes!
Levei uma bolacha na cara. Não foi de todo mal. Pelo menos o meu sotaque francês melhorou: Parri, Parri, je teime!
Rolando Estrada é cronista esportivo acidental e turista na Copa


A BOLA DA VEZ
Roupeiro

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