Óia, faz tempu qui eu num via uma coisa tão feia, sô! Tava pió que briga de foice no escuro! Eu e o pessoar aqui du sítio fumo inté a fazenda do dotô Robervá pra ispiá o jogo do Brasir na televisão. Antes num tivesse ido. Era mió pegá pelo rádio. O que o zóio num vê o coração num senti.
Não é por nada não, mas o nosso time parecia que tava cum tiriça, sô! Ficava uns toquinho pra lá, uns toquinho pra cá. Aí os home da terra do bacalhau pegava a bola e dava uns chutão pra frente. Aquilo foi me dando um sono...um sono...se o meu fio num me dá um pisão no calo, eu acabava durmino.
Aqui no campeonato rurar tem muito jogadô mió qui aqueles lá. Se o Zégallo tivesse visto o Nelão, que só joga discarso e tem uma bicuda que fura inté as rede, nem ia querer saber de Ronardinho, Denirso e Rivardo. Eu já disse que esses jogadô da Seleção é tudo vida boa, só qué sabê de moleza. Pegá numa inxadinha ninguém qué!
Cumé qui a gente perde prum time que tem uns três jogadô chamado Frô? E aquele sujeito que fez o primeiro gor deles parecia uma saracura do brejo. Meu fio disse que ele era iguar uma trombada do Júnio Baiano cum o Tafarér: grandão e branquelo.
O trem tá feio, sô!
Agora, a minha muié gostô mêmo foi daquele casório que teve antes do jogo, nu meio do campu. Uma brasilera e um noruegueis. Eu não: quando vejo arguém casando fico triste. Outro dia inté disse pra minha fia: ‘‘Eu e sua mãe fumos muito feliz durante vinte anos’’. Ela perguntô: ‘‘E dispois, o qui qui aconteceu, pai?’’ Eu falei na bucha: ‘‘Aí a genti se conheceu e resorveu se casá.’’
• Arnardo Portera é cronista esportivo durante a Copa e caipira sim, com muito orguio!


A BOLA DA VEZ

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