Bem, como vocês sabem, sou uma modelo e manequim a caminho da fama. Minha irmã é casada com um astro internacional do futebol mundial e por isso fui convidada para escrever uma coluna sobre a Copa da França. Escrever não é bem a palavra porque minha letra é muito feia, à máquina dói o dedo e estraga as unhas e com o computador eu não me entendo. Então o rapaz do jornal vem aqui à nossa casa enorme com piscina e jardim de inverno, grava tudo o que eu falo e depois ‘‘dá um texto’’, como dizem os jornalistas. Mas eu exigi que a reprodução fosse a mais fiel possível porque tenho medo que minhas idéias sejam deturpadas.
Gostaram do time contra o Marrocos? Eu adorei. Só espero que os marroquinos não queiram se vingar da gente e proíbam nossos travestis de irem até lá para fazer operação de mudança de sexo. Temos de reconhecer: eles são ruinzinhos de bola, mas não fosse o Marrocos jamais teríamos a versão light de Roberta Close!
Contra a Noruega vai ser melhor ainda. Zagallo cedeu às pressões e escalou Denílson. Mas já avisou: ele só vai entrar porque esse jogo é um ‘‘treino de luxo’’. E o engraçado é que o Zagallo vive dizendo que acha o Denílson bom. Talvez ele ache que o rapaz é bom demais para ficar se misturando com certas pessoas. Os titulares da Seleção, por exemplo.
Amanhã, isto é, hoje, porque estou falando ontem para sair amanhã, mas amanhã no jornal já é hoje, entenderam? Hoje, então, vamos fazer uma bacalhoada. Nossa secretária doméstica muito bem remunerada, dona Cida, ficou encarregada de conseguir um belo bacalhau do Porto norueguês pra gente comemorar a vitória da Seleção Brasileira. Com vinho nacional francês, uh-lá-lá!
Não vamos perder para um time que tem um atacante chamado Flô, né gente?
Aliás, nessa Copa tem uns caras com uns nomes bem esquisitos. Com a ajuda da minha irmã e do meu cunhado - aquele que é um astro internacional do futebol mundial - eu escalei uma seleção bem interessante. Para o gol, tem o Buffon (reserva na Itália) e o Sadiq (da Arábia Saudita). O primeiro fica fazendo papel de bobo e o segundo é uma pessoa muito má, que só tem prazer quando a torcida sofre. Na lateral-direita, o nosso conhecido Arce (do Paraguai). Toda vez que ouço o nome deste rapaz imagino um caipira dizendo que viu um bicho com a cabeça cheia de galhos. Completando a zaga, um bofe francês (Le Boueuf), um espanhol que não acerta uma (Hi-erro) e na esquerda, um delicado colombiano (Santa).
O meio-de-campo começa com Amor (Espanha) e termina em baixaria: Okocha, Cocu e Scifo (Nigéria, Holanda e Bélgica). No ataque, para felicidade do dona Flô (Noruega), escalamos ao lado dele o nigeriano Ikpeba, que, dizem, tem um talento e-nor-me!
• Magot H. Raómi é modelo, manequim e cunhada de um astro internacional do futebol mundial


A BOLA DA VEZ
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