Aproveitando esta oportunidade que me é dada para apresentar uma análise conjuntural da Seleção Brasileira, gostaria de salientar que os desempenhos futebolísticos tem influência direta sobre o quadro sócio-político-econômico das nações. Sei que a princípio isto soa como elocubração - no bom sentido - de economista. E, como alguém já disse, o primeiro economista do mundo foi Cristóvão Colombo: quando saiu, não sabia para onde ia; quando chegou, não sabia onde estava; e tudo por conta do governo. Mas eu não dou a mínima para as piadas.
Minha tese pode ser provada em outra aula. Os nisseis sentados na primeira fila certamente não terão dificuldade para acompanhar meu raciocínio. Quanto aos palhaços que ficam fazendo algazarra lá no fundo da sala, podem se retirar.
Para se analisar uma equipe de futebol ou uma seleção - que apesar de todos os valores agregados e desagregados não deixa de ser um time de futebol -, são necessários alguns cálculos elementares e uma visão estruturalista.
Tomemos como exemplo uma jogada habitual: digamos que T1 é o tempo para que a bola alçada de uma das laterais do campo caia exatamente sobre a área da Seleção Brasileira e T2 é o tempo necessário para o goleiro pensar, saltar e apanhá-la no ar. Num time de fatores coordenados tempos, portanto, T1 = T2. Agora quando uma equipe é mal treinada, surgem as variáveis. Temos T1 (+ T3) /= T2, sendo T3 um zagueiro trapalhão que se antecipa ao goleiro mas não corta nada.
Se acrescentarmos à equação o lépido atacante adversário (X), teremos então T1 (+ T3) /= T2 (+ X). Ou seja: gol de cabeça do adversário. É isso aí. Futebol, a exemplo da sinuca e dos acidentes de trânsito, é matemática.
Com Carlos Alberto Parreira, a Seleção jogava de acordo com as regras do mercado. Poderia-se dizer também que Parreira era um técnico caderneta de poupança. E ele se deu bem em 94. Já o Telê Santana, investidor em fundos de aplicação, se deu mal. Quanto a Zagallo, recomendo que não o menosprezem. À maneira antiga, ele costuma guardar o dinheiro embaixo do colchão. Basta torcer para que Zagallo não esteja gagá e nos momentos mais difíceis consiga se lembrar em qual cama escondeu o ouro.
- O Prof. Isaac Lorotta é cronista esportivo na Copa e phddd. pela Universidade de Grande Boston (EUA)


A BOLA DA VEZ

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