Touchê! (Humor na Copa)
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 1998
Pai Zezinho de Lésigny Especial para a Folha 
Ih, zifio, o trem tava feio mesmo! Mas os home da CBF vieram aqui procurá pai Zezinho e nego véio já deu um jeito. Primeiro eles pediram pra desamarrar o Bebeto. Nego jogou os búzios, viu como é que tava a situação e disse que ia ser difícil: Precisa de trabaio brabo. Então os home perguntaram se num dava para desamarrar o Aldair. Então nego jogou os búzios de novo. Viu a coisa preta e falou: pode trazer o Bebeto.
Zifio vai vê que o caminho do gol estará aberto para ele a partir do jogo de hoje contra nossos irmãos do Marrocos. É só ele não errar o caminho! O trabaio pro Bebeto podia até ser na linha de Cosme e Damião, que são os santos que protege as criança. Ele não é um menino chorão?
Mas nego véio disse pros home da CBF: não pensa que é assim, só acender uma vela, colocar galinha preta e farofa nas encruza que tá resolvido. Não. Tem que ter champagne francês, caviar e incenso importado. Que santo de jogador famoso está acostumado com coisa boa, né, zifio?
Bebeto vai ser o mió jogador da Copa. Agora pra desfazer o que fizeram pra esse menino, nego precisava ir ao Estádio onde o Brasil vai jogar e fazer oração sem baruio pra atrapaiá. Então os home da CBF que são muito bão de coração me deram um passe de metrô para ir ao estádio. Em troca pai deu uns passes neles também.
Nego véio já sabia que ia ter um minuto de silêncio antes do jogo por causa da morte de um figurão. Aí, quando todo mundo ficou quieto, o alto-falante do estádio começou a explicar por que todos estavam em silêncio. E explicou naquelas línguas enroladas de quase todos os países que jogam esse jogo da bola. Nunca vi minuto de silêncio mais barulhento.
Aí nego ficô matutando o que ia fazer. Tive de esperar o jogo acabar, toda a torcida sair, os seguranças, os juízes e só então fui acender minha velinha e fazer a minha reza. Aí dei de cara com um sujeito de turbante vermelho: era um bruxo marroquino! Mas macumba de brasileiro é mais forte.
Nego véio até apostou no bolão, zifio: Brasil 3 a 0.
A BOLA DA VEZ
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