Vida de médico não é fácil. Em tempo de Copa do Mundo, então, é um inferno!
A direção do hospital proibiu televisão na sala de cirurgia. Dizem que foi por causa de uma fofoca do radiologista, um sujeito que só quer ver a caveira dos outros.
Mas o pior na Copa é que sempre tem uma cliente, isto é, uma paciente, que resolve entrar em trabalho de parto quando a gente está louco para partir do trabalho e ver um joguinho na TV. Agora, digam se eu estou errado: todo mundo sabe que o Campeonato Mundial de Futebol realiza-se de quatro em quatro anos e cai sempre em junho. Ter um filho justamente na hora do jogo do Brasil é demais! Ninguém pensa em planejamento familiar neste País, pombas!
E tem uns marmanjos que ainda ficam com inveja de médico ginecologista. Primeiro: a gente tem que trabalhar onde os outros se divertem. Segundo: vai um ginecologista levar serviço para casa como fazem os executivos, por exemplo. Dá o maior rolo: os vizinhos falam mal, a mulher da gente já quer divórcio, ninguém entende.
Mas a Folha me pede para falar da Seleção. Então vamos ao que interessa. Tenho pena do meu amigo Lídio Toledo. Se ele pensou que ia fazer turismo na França, caiu do cavalo. O time convocado pelo Zagallo parecia um hospital. E Lídio teve de cortar mais gente que um cirurgião. E com toda a polêmica em torno do problema do Romário, agora além de 160 milhões de técnicos de futebol, temos no País 160 milhões de ortopedistas todos especialistas em panturrilha.
O dr. Lídio garantiu que Romário não seria cortado. Levou pau. Aí voltou atrás e apoiou o corte do Romário: levou pau. Agora se o Romário já estiver realmente recuperado, vai levar pau novamente porque avaliou mal a situação de um craque que pode fazer falta. Quer dizer: no fim ainda vão cortar o ortopedista!
Mas não vamos ser pessimistas. A situação da Seleção Brasileira é melhor que a dos hospitais brasileiros: o time tem remédio. Denílson neles, Zagallo!
• Dr. Nascimento da Luz é cronista esportivo na Copa e médico ginecologista

A BOLA DA VEZ
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