Fui anteontem a um restaurante em Paris e pedi um filé. Um gaudério esquisitão me trouxe um bifinho escondido embaixo de quatro bolinhas parecidas com ervilha que eles chamam de ‘‘petipoᒒ. Chamei o vivente e disse que ele precisava era ir ao Rio Grande para conhecer uma verdadeira picanha! Aí o francês ficou me olhando o tempo todo com aquele olhar de campineiro que mora em Pelotas. Porque tu sabes que no Rio Grande só nasce macho. Pelotas tem má fama por causa dos estrangeiros que se mudaram pra lá.
Aí fui tirar água do joelho. Mal entrei no banheiro, tive de ameaçar um sujeito com a minha chaira porque ele foi se chegando perto demais. Bah, tchê! Como tem afrescalhado nesta terra! Todo mundo aqui fala com sotaque de cabeleireiro.
Dizem que francês é educado. Pois vou te contar, guri, o que aconteceu com a minha patroa quarta-feira à tarde em uma padaria. Ela é chegada num baguete! Socióloga graduada, fez tese de mestrado na URGS sobre o ofício dos padeiros e teve de entrevistar 120 profissionais das massas. Mas aqui não conseguiu sequer ser atendida. Minha patroa ficou duas horas lá no balcão feito sapo esperando mosca e os funcionários lá dentro, queimando rosca.
Barbaridade, tchê!

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