Touchê (Humor na Copa)
Touchê (Humor na Copa)
Tô ligadão nessa Copa!
Zeca Marofa
Especial para a Folha
Futebol é comigo mesmo. Tô por dentro desse barato. Acompanho as Copas desde 66. Vi o tricampeonato de 70 na TV, ao vivo e em cores. Eu sei, eu sei: nem tinha TV colorida no Brasil. Mas eu já era ligadão naquela época, cara.
Jóia mesmo foi um amigo meu que viu um disco-voador sobrevoando o estádio de Guadalajara. E teve outro que não conseguiu sair da cama para assistir Brasil x Inglaterra porque o quarto estava cheio de jacarés. A gente viajava legal, cara! Outro dia pensei em entrar em contato com eles pra gente ver a Copa da França juntos. O problema é que não conheço nenhum médium espírita. Os dois já morreram.
Se tiver uns trocos na jogada, pode perguntar o que quiser sobre a Copa de 70 que eu mato na bucha. Guardo tudo aqui na cachola no meio da fumaça. O quê? Quem fez o quarto gol na final com a Itália? Ó a do cara, meu! Tá querendo me gozar? Até uma anta psicodélica sabe que foi o Carlos Alberto. O Pelé rolou, ele apareceu no canto do vídeo que nem um bólido e meteu aquela bomba... Por falar em bomba, acho que vou acender uma coisa.
Agora ouve aí cara: o último maluco beleza na Seleção foi o doutor Sócrates. Depois da Copa de 70, o único time massa mesmo foi o de 82, timaço...timassa...há-há-há. Aí teve a tragédia de Sarriá, os carinhas marcaram bobeira lá atrás e o Paolo Rossi, que tava mais sujo que pau de galinheiro por causa da máfia da Loteria fez três gols na gente. Mas aquilo não foi troco de 70, não. No México, a gente meteu 4 a 1 nos cornetos e deu o maior chulé de bola.
Ultimamente o futebol anda na maior caretice. Tudo atleta de Cristo: não bebe, não fuma e não joga. Depois da Seleção de 82 só veio palha. Aquela do Lazaroni, então, era mais feia que esfregar a mão no tanque. Nos EUA fui conferir de perto. Queria ver a Colômbia, cara, que tinha o melhor cartel. Mas deu chabu. A gente ganhou mas não gostei. E o Dunga continua aí, cara. Não sei por que o Zagallo não chamou também o Atchim, o Soneca, o Dengoso, o Feliz, o Nélson Ned para completar a Seleção Walt Disney. Hein? Eu sei tudo sobre Copa do Mundo e você ainda quer que eu me lembre do nome dos sete anões? Ó a do cara, meu!
- Zeca Marofa é cronista esportivo free-lancer e fornecedor full-time.A BOLA DA VEZ
Edmundo
Qual a diferença entre um cavalheiro francês, o Júnior Baiano e o Edmundo?
- O cavalheiro bate antes de entrar, o Júnior Baiano entra batendo e o Edmundo...bem, o Edmundo bate antes, depois, não quer nem saber.
Portugal
Comenta-se que durante as eliminatórias da Copa, o enfermeiro da delegação portuguesa acordou o atacante no meio da noite. Emburrado, o jogador resmungou:
- Que foi, pô?
- Está na hora de tomar o remédio para dormire.
- Ah, bom.
France PresseFã de Ronaldinho beija o jogador na saída do treino. Parece que ele não gostou muito, não!
Conceição
O que me preocupa é esse boato de que o Zagallo está escondendo o jogo da Seleção. Em 1990 o Lazaroni também escondeu o jogo, mas tanto, tanto, que até hoje não conseguiu encontrar. Ficou igualzinho à Conceição do Cauby: ninguém sabe, ninguém viu...
Sebastião Magela Lara, de Terra Boa (PR)
Pátria de chuteiras
O Brasil segue Rumo ao Penta! Corações ao alto...junho promete!
Como pode o futebol, sozinho, ter mais admiradores do que todos os outros esportes juntos? Qual o segredo que existe nesse jogo, em que 22 homens ficam durante 90 minutos correndo atrás de uma pelota de couro para despejá-la em um retângulo guardado por um defensor?
Pois bem, junte um toque de magia, acrescente heróis de chuteiras, que nada tem de supermen, polvilhe lágrimas e festas pelos gols chorados ou cantados. Leve ao fogo da paixão pelo futebol e... pronto! A explicação de tal fascínio está no fato de o futebol mexer com os sentimentos mais profundos do homem. É o retrato da alma brasileira e determinante do caráter nacional. A população eletrizada e fascinada se prepara para viver tudo de novo. Torcer por mais um final de um conto de fadas, tão verdadeiro como a bola e o sonho que nos aguarda.
Ilona Regina de Lima, professora do Colégio Marista Santa Maria em CuritibaPARTICIPE
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