Touchê - Humor na Copa
Pistolão faz falta!
Margot H. Raómi
Especial para a Folha
Desde que minha irmã se casou com um grande astro internacional do futebol mundial, os jornais querem que eu faça uma coluna. Mas não gosto de escrever com caneta. À máquina, dói o dedo indicador. E computador, me desculpem, mas é um negócio muito complicado. Então o jornalista que veio aqui na nossa residência enorme com piscina e jardim de inverno sugeriu que eu fosse falando, que ele escreveria a coluna pra mim. Falo rápido. Mas o rapaz teve a brilhante idéia de usar um gravador.
O namorado da minha irmã me deu a maior força: ‘‘Vai firme, Margot! O Zagallo também não entende nada de futebol e diz que já ganhou quatro Copas do Mundo.’’
O meu cunhado ficou fora da lista do Zagallo. Merecia ser convocado, claro! Mas tem muito protecionismo na Seleção. Como diz a minha irmã: ‘‘Se ele tivesse um pistolão, a coisa seria bem diferente’’. Eu também acho. Homem com pistolão vai mais longe. Outro que merecia ter sido convocado era o Juninho. Que gracinha, aquele menino! Mas cadê o pistolão?
Tem muito esquema comercial em tudo. Outro dia um rapaz se aproximou de mim numa choperia e perguntou: ‘‘Você é modelo, não é?’’ Aí eu perguntei: ‘‘Como é que você sabe?’’ Ele disse que já tinha visto alguma foto minha ou algum comercial de TV. Não se lembrava muito bem, mas tinha certeza de que o meu rosto e principalmente o meu corpo não eram estranhos. Nem sabia que já estava ficando famosa.
O rapaz, muito simpático, era um novo diretor de cinema ou diretor do cinema novo, não sei direito, e me convidou para fazer um teste. Eu fui. Sou desinibida. Mas, coitado, ele não sabia disso e para evitar que eu ficasse constrangida, dispensou toda a equipe técnica naquele dia. Ficamos só eu e ele no estúdio. Eu me saí bem em quase todas as cenas românticas, menos naquelas em que era preciso decorar as falas.
O diretor gostou. Repetimos o teste três vezes. Ficamos amigos, saímos algumas noites. Mas aí é que eu digo que os esquemas comerciais atrapalham tudo. O produtor ou o patrocinador, não sei direito quem foi, exigiu que o meu papel fosse feito por uma garota morena. Nossa, gente, era pra eu falar sobre futebol e acabei falando só a meu respeito! Tudo bem, né? Pelo menos a gente ficou se conhecendo. Beijos.
•Margot H. Raómi é cronista esportiva durante a Copa, modelo, manequim e cunhada de um ‘grande astro internacional do futebol mundial’.A BOLA DA VEZ
Comilão
O zagueiro da Seleção, bom de garfo, não conseguiu dormir bem durante a noite. Teve pesadelos, insônia, falta de ar, essas coisas. Na manhã seguinte, meio acabado, comentou com o médico:
- Pô, doutor, sonhei uns sonhos brabos!
O médico riu e antes do conselho óbvio - não comer feito um Edmundo antes de dormir - tentou dar uma aula de português ao becão:
- Sonhei um sonho brabo...isso é pleonasmo.
No jantar, o zagueiro pegou leve e seu amigo lateral estranhou:
- Só isso, cara?
O beque justificou:
- Não tô a fim de ter outro pleonasmo à noite, não.
Guga
Como o grande tenista também está na França, sobrou para ele:
- Sabia que o Guga vai entrar para o MST?
- Sério? Pra quê?
- Pra melhorar os saques.FALA GALERA!
France PresseCorrente pra frenteValter
Diguinho, da
Barra da
Tijuca (RJ),
improvisa
bandeira no
cabo de uma
vassoura.
De bobeira
Querem saber minha opinião sincera? O Brasil não chega à final da Copa. Vou torcer de bobeira. Só Zagallo não vê que a Seleção está muito bagunçada. A equipe é fraca na defesa e lenta no meio-de-campo. O ataque também não funciona. Não entendi como é que convocaram Romário. Ele não tem condições físicas para suportar o ritmo forte de uma Copa. Infelizmente, Zagallo não percebe nada. Eu levaria dois jogadores do São Paulo: o goleiro Rogério e o zagueiro Bordon. Sou flamenguista, mas não chamaria o Júnior Baiano. E escalaria o Dunga como coordenador-técnico.
Josiane Cristina Santos, de LondrinaPARTICIPE
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