Para não perder os 28 pontos que conquistou com a vitória maiúscula de domingo, no Autódromo de Tarumã, em Viamão, Região Metropolitana de Porto Alegre, a equipe Londrina Truck Racing decidiu ontem que correrá as próximas provas com o caminhão mecânico usado em 2006. O regulamento do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck prevê a perda dos pontos obtidos se uma equipe alterar o motor ou as características principais do caminhão que vem correndo.
Como o time surpreendeu a todos no Rio Grande do Sul, com o piloto Leandro Totti fazendo a pole position e vencendo a prova de ponta a ponta (obteve a máxima pontuação possível), a decisão de recolocar na pista o novo caminhão eletrônico será protelada. Pelo menos enquanto a equipe estiver brigando pelo título com o mecânico. Com 28 pontos, Totti está apenas cinco atrás do líder Beto Monteiro (Ford), que ficou em segundo na etapa de abertura em Cascavel e marcou o 4º lugar em Tarumã.
''Para São Paulo, em Interlagos (dia 20 de maio), já decidimos que vamos levar esse caminhão que ganhou a corrida. Minha idéia é só revisá-lo, consertar o que estragou e não se cogita mexer em mais nada no motor. Não queremos incorrer no erro do ano passado, quando buscamos ganhar mais potência e fizemos mudanças significativas que derrubaram a confiabilidade do motor'', disse o chefe da equipe, Ernesto Pívaro Neto, o Gardenal.
Gardenal recorda que depois das alterações feitas, que permitiram um ganho de 100 cavalos, o caminhão quebrou em três provas - Interlagos, Cascavel e Campo Grande - que tiraram Totti da briga pelo título (ele liderava o campeonato até a etapa de São Paulo, em maio).
Mesmo depois de Interlagos, a equipe disputará em Fortaleza a 4 etapa, dia 1º de julho, também com o mecânico. ''Até lá não mudaremos os planos. Enquanto isso continuaremos desenvolvendo aqui o caminhão eletrônico em separado'', disse Gardenal.

Sem mudanças - Seguindo a lógica de que ''em time que está ganhando não se mexe'', a Londrina Truck não quer saber de invenções agora que conseguiu competitividade do caminhão mecânico. ''Sabemos que o eletrônico é mais avançado e potente. Mas nossa estratégia nesse momento será pensar no campeonato'', frisou o dirigente.
A equipe vem desenvolvendo desde dezembro o módulo do novo Ford eletrônico que seria usado para toda a temporada 2007. Porém, como o novo sistema de injeção ainda não estava pronto e o caminhão eletrônico sequer conseguiu largar na etapa de abertura, em março, em Cascavel, a equipe voltou atrás e decidiu usar em Tarumã o veículo reserva, com motor mecânico - e acabou dando certo.
''Fora o comportamento imprevisível, não tínhamos a potência ideal do eletrônico. Então decidimos pelo outro e nos demos bem, porque ele se mostrou melhor ainda que no ano passado'', elogiou Totti. O piloto comentou que o regulamento deste ano permitiu alterações no sistema de supensão e isso acabou fazendo a diferença em Tarumã. ''Como consegui terminar a primeira volta na frente do Roberval (Andrade, da Scania 2º colocado), o restante da corrida ficou mais fácil, porque no decorrer das voltas ia aumentando a diferença para os caminhões de 12 litros nos trechos mistos (com curvas)'', concluiu.

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