Berlim - A Alemanha está preocupada com a segurança de suas torres gêmeas, mas a ameaça não surge na forma de terrorismo, mas sim de uma brigada de baixinhos argentinos. Isso porque a dupla de zaga formada pelos gigantes Per Mertesacker e Cristoph Metzelder, de 1,98m e 1,93m, tem sido apontada, sobretudo pela mídia do país, como ponto fraco da equipe de Jurgen Klinsmann no Mundial de 2006 e eventual mina para os rivais sul-americanos na partida de sexta-feira, pelas quartas-de-final.
Mais especificamente para os atacantes Saviola, Messi e Tevez, todos com menos altura (medem menos de 1,70m), mas superiores em habilidade e velocidade a Mertesacker e Metzelder. A dupla de zaga alemã pode até se fiar nas estatísticas e lembrar aos críticos que sofreu apenas dois gols em quatro partidas no Mundial, mas o fato de que os anfitriões tiveram uma das chaves mais fáceis da primeira fase e que os dois gols foram concedidos diante da modesta Costa Rica pesam contra.
''São jogadores de muita qualidade e que precisam ser vigiados não só por mim e Cristoph, mas por todo mundo envolvido na marcação, pois o principal é não darmos espaço para que eles possam trabalhar. Mas não estamos perdendo o sono até porque jogamos de igual para igual com a Argentina nas duas últimas vezes em que nos enfrentamos'', diz o zagueiro do Hannover 96, de apenas 21 anos.
Não se trata de tranquilidade ensaiada. O clima na Alemanha é de confiança mesmo junto à mesma torcida que, antes do mundial, duvidava de que seu time iria chegar muito longe na competição. Uma pesquisa do institutos de pesquisas Promit, divulgada ontem, revelou que 87% dos alemães acreditam que a equipe de Klinsmann irá derrotar os argentinos e chegar às semifinais numa medição anterior, tal percentual era de quase quatro vezes menos.
As chances de que Mertesacker e Metzelder enfrentem os três jogadores ao mesmo tempo vão depender do técnico José Pekermann, que em nenhuma das quatro partidas da Argentina deixou-os todos em campo. Por via das dúvidas, Mertesacker e o companheiro de zaga receberam da comissão técnica um DVD com uma extensa compilação de jogadas de ataque da Argentina.
Já a novela Oliver Khan continua rendendo. Na noite de segunda-feira, um comunicado da Federação Alemã de Futebol avisava que o goleiro seria um dos jogadores presentes na entrevista coletiva de ontem, sua primeira desde a publicação, pela revista ''Der Spiegel'', de críticas à decisão do treinador de optar por Jens Lehmann, do Arsenal, como titular o que tirou do jogador do Bayern de Munique o posto que ocupava há oito anos.
Porém, de acordo com um porta-voz da federação, uma misteriosa tontura fez com que Khan, saísse mais cedo do treino e fosse direto para o hotel. Sobrou para o treinador de goleiros da seleção, Andreas Koepke, a missão de bombeiro: ''Kahn está numa situação difícil, mas está reagindo muito bem. Ele e Jens têm relações cordiais'', disse Koepke.
Quem vê os treinos da seleção enxerga outra coisa: dois goleiros que não trocam um olhar ou uma palavra. Quem viu a partida contra a Suécia, pelas quartas-de-final, percebeu Kahn ir para o vestiário nem bem o juiz apitou o fim.

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