São Paulo- Batalha campal entre palmeirenses e são-paulinos provoca a morte de Márcio Gasparin, em agosto de 1995, no Pacaembu. A Federação Paulista de Futebol (FPF) proíbe a entrada das torcidas uniformizadas nos estádios e o Ministério Público (MP) abre processo que resultaria na extinção da Independente e da Mancha Verde. Oito anos mais tarde, a FPF trabalha para liberar o retorno das organizadas, que não podem entrar nos campos com camisas, faixas e bandeiras no Estado de São Paulo.
A idéia, que inicialmente parece um pouco temerária, é liderada pelo presidente da entidade, Marco Polo del Nero, e já vem sendo discutida com o Ministério Público e a Polícia Militar. ''Ninguém pode ser punido eternamente e os torcedores já voltaram extra-oficialmente'', justifica del Nero. ''As organizadas fazem festa, animam.''
O projeto não se limita a abrir as portas dos estádios para a Tricolor Independente ou a Mancha Alviverde, por exemplo, e prevê, por outro lado, uma série de exigências. ''Permitiremos a volta desde que eles obedeçam as regras'', pondera o coronel Marcos Cabral Marinho. Uma das obrigações das torcidas seria, além de de ter o cadastro de todos os associados, enviá-los à PM, para que sejam monitorados durante as partidas. Em caso de algum incidente, de acordo com Marinho, eles dificilmente passariam ilesos. Seriam flagrados. ''E, se não cumprirem as obrigações, o MP entra novamente com processo.''
Em sua visão, esses torcedores já estão presentes nos estádios. ''Não adianta a gente esconder isso.'' Só que de forma velada, sem usar instrumentos que os identifiquem. Algumas torcidas não precisam nem se esconder, pois conseguiram liminar na Justiça que as liberam entrar nos estádios. É o caso da Torcida Jovem e Sangue Jovem, do Santos, e da Gaviões da Fiel, do Corinthians. As extintas Mancha Verde e Independente voltaram às atividades normalmente. Só mudaram o nome.
Fernando Capez, promotor público que levantou a bandeira contra as uniformizadas, lembra que em 1994 houve 1.750 ocorrências em 279 jogos e, neste ano, em 239 partidas houve apenas 130 registros de incidentes. Esse considerável decréscimo motiva o MP a trabalhar também com a possibilidade de aprovar o retorno das torcidas, mas com cautela.

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