Luiz Cláudio Oliveira
Enviado a Assunção
Antes que Brasil e Uruguai entrassem em campo para decidir a Copa América, torcedores dos dois países disputaram uma partida para lá de animada nas ruas centrais de Assunção.
Na Praça da Independência, em frente ao Panteão dos Heróis do Paraguai, brasileiros e uruguaios transformaram a manhã de domingo em algazarra generalizada. A região central de Assunção concentra a maior parte dos hotéis onde os torcedores ficaram hospedados no final de semana. Buzinaço, cantoria e invasão das ruas acabaram com a tranquilidade do domingo. Fazia frio, mas a rivalidade histórica dos dos países esquentou a praça.
Enquanto uma missa era celebrada no Panteão dos Heróis, centenas de torcedores da Celeste fechavam a rua, entoando hinos e gritos de guerra. A vítima preferencial dos uruguaios, nos refrões chulos e satíricos, era o atacante Ronaldo. A cada vez que passava um ônibus da torcida brasileira, a galera da Celeste ficava mais alvoroçada.
Quando a ‘‘calle’’ parecia monopolizada pelos uruguaios, a torcida brasileira começou a mostrar presença, reforçada pelos paraguaios. Afinal, Assunção se preparou durante meses para uma final entre Brasil e Paraguai. Mas o time colorado foi eliminado nas quartas-de-final. O algoz dos anfitriões, ironicamente, foi o Uruguai. Mais uma razão para que a imensa maioria dos donos da casa passasse a torcer pela Seleção Brasileira.
O vendedor paraguaio Pedro Alvarez definiu o estado de espírito do país após a eliminação: ‘‘Foi uma tristeza e uma grande decepção para todos nós.’’ Segundo ele, o Paraguai tem um time excelente, mas não recebeu apoio suficiente do governo. Mas Alvarez garantiu: ‘‘Se Chilavert estivesse no gol, a gente não perderia nos pênaltis para o Uruguai’’. O goleiro paraguaio, considerado um dos melhores do mundo, recusou-se a participar da Copa América.
Um grupo de estudantes brasileiros e paraguaios viajou sete horas para assistir à final da Copa. Eles vieram de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, cidades que ficam na fronteira entre os dois países. O paraguaio Pedro Zaracho, fã de Vampeta e Gamarra, torcedor do Corinthians e do Olímpia, só tem uma crítica em relação ao Brasil: o comportamento do narrador Galvão Bueno, da TV Globo: ‘‘Ele só fala mal do Paraguai...’’
O comerciante Quintin Segóvia, de Brasília, e o filho, Júnior, viajaram 30 horas só para ver a final da Copa América. Segóvia se uniu a um grupo de torcedores que vieram do Mato Grosso do Sul. Na esquina do Panteão dos Heróis, eles respondiam aos gritos de guerra dos uruguaios. O comerciante é um admirador convicto do futebol brasileiro: esteve nas Copas do Mundo de 90, 94 e 98. ‘‘Vale a pena viajar. A gente trabalha tanto para ter a satisfação de ver o Brasil em campo.’’
O estudante uruguaio Federico Appolonia veio de Montevidéu com a esperança de ver a Celeste liquidar o favoritismo do Brasil. A aposta de Appolonia era levar o jogo para as cobranças de pênaltis, que já haviam garantido a presença do Uruguai na final. ‘‘Na Copa América, nós sempre ganhamos.’’ Appolonia interrompeu a entrevista porque o dever o chamava: um ônibus de brasileiros havia parado na esquina e iniciava duelo de buzinas.Diante do Panteão dos Heróis do Paraguai, brasileiros e uruguaios rivalizam na animação. Donos da casa aderem ao verde-amarelo
Albari RosaALGAZARRATorcedores brasileiros e uruguaios em frente ao Panteão dos Heróis, no centro de AssunçãoAlbari RosaQuintim e o filho Júnior, de boné preto, vieram de São PauloAlbari RosaZaguinha, de São Paulo, faz embaixadas em frente ao Panteão dos Heróis

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