Para o craque do campeonato, os 29 gols e o título dado de presente para a torcida do Vasco foram uma dádiva de Deus. Edmundo não conteve a emoção e chorou no gramado pela conquista do seu terceiro título brasileiro em cinco como profissional. ‘‘Quando Deus dá a alguém uma dádiva como a que me deu para jogar futebol, tenho de passar essa magia para outras pessoas’’, disse.
Edmundo pode não ter merecido entrar em campo ontem pelo o que fez no primeiro jogo no Morumbi, mas mereceu como ninguém o campeonato pelo que realizou nos outros 20 jogos em que atuou. A partida de ontem era a sua despedida do Vasco. Dia 28 ele embarca para Florença, onde defenderá a Fiorentina da Itália. A torcida vascaína o tratou como um rei. Edmundo agradeceu, prometendo voltar ao clube. ‘‘Quero dizer aos torcedores que é só um tchau. Quero encerrar a carreira aqui no Vasco’’.
Edmundo reconheceu que o título de ontem foi o mais especial dos três que conquistou - os dois outros foram pelo Palmeiras em 93 e 94. ‘‘Estou realizado’’, disse. ‘‘Passei por muitos momentos difíceis este ano e mesmo assim chegamos ao nosso objetivo’’. A próxima meta de Edmundo é a Copa do Mundo da França. ‘‘Assim como eu mereço ir, outros jogadores do Vasco também merecem’’.
O jogador foi tão assediado ao final da partida que passou mal e teve de tomar água no vestiário antes de voltar para receber o troféu com os demais companheiros. Erguido nos ombros de torcedores, jogou beijos para a torcida e não conteve as lágrimas.
No jogo de ontem, Edmundo, se não foi decisivo, acabou sendo o jogador mais perigoso do Vasco. Acionado 16 vezes no primeiro tempo e dez no segundo, criou as três melhores oportunidades de gol do time: uma falta no travessão no primeiro tempo, um chute que Cléber salvou em cima da linha e um maravilhoso drible em dois zagueiros, que Velloso abafou. Depois de 63 minutos, recebeu seu costumeiro cartão - desta vez amarelo, por trocar ofensas com Velloso e depois Zinho.

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