Parecia ironia, mas ao mesmo tempo em que os Estados Unidos iniciavam o ataque contra o Afeganistão, os torcedores brasileiros levantavam cartazes com a palavra ''PAZ'' para recepcionar a seleção brasileira que entrava em campo. Os cartazes faziam parte de uma campanha para levantar o astral dos jogadores de Felipão. Mesmo assim, o que se tornou uma festa no segundo tempo, com gritos de ''olé'', esteve ameaçada pela atuação do time brasileiro na primeira etapa. A seleção jogava mal e irritou o torcedor.
O vendedor Marcelo Borba, 47 anos, elogiou a vitória, mas criticou o futebol do primeiro tempo.''A entrada de Denilson mudou o jogo. Antes disso, não chegávamos ao ataque''.
As manifestações surgiram aos 30 minutos, quando os torcedores gritaram por Juninho. Depois foi a vez de Denilson ser aclamado e, ao final do primeiro tempo, houve um ensaio de vaia. No final da partida alguns jogadores atiraram suas camisas para os torcedores.
A proibição do uso de camisas de clubes dentro do estádio, feita pela polícia, não valeu para os torcedores do Coritiba, dono do estádio. Dezenas de pessoas com as camisas do Alviverde desfilavam pelas arquibancadas, enquanto uma faixa do Paraná Clube era retirada pela PM.
Em um canto espremido do estádio, um grupo de 60 torcedores chilenos, a maioria do Colo-Colo e do Universidad Católica, misturado a alguns chilenos radicados em Curitiba, tinha esperança de pelo menos um empate.
Hugo Marcial Parra, 36 anos, viajou três dias de Santiago a Curitiba para ver a seleção do seu país. Ao final, estava conformado com o resultado. ''Chegamos a ter dois lances de gol, mas não deram certo. Estamos em fase de renovação'', afirmou.
O engenheiro chileno Jordi Agramunt, 53 anos, reclamou da Federação Paranaense de Futebol. Morador em Curitiba, ele desmentiu a versão da FPF de que o Chile liberara ingressos para os brasileiros.
''Fomos ao Consulado, mas nos avisaram que a Federação segurou os ingressos. Muitos chilenos não puderam vir ao jogo, por causa dessa situação'', reclamou. Durante a semana, a FPF foi acusada de benificiar os cambistas e deixá-los atuar livremente.

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