Torcida prepara mais protestos contra arbitragem e FPF
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Mesmo censurada em dois jogos seguidos, a torcida do Londrina não desistiu de demonstrar sua insatisfação com a arbitragem estadual e com a Federação Paranaense de Futebol (FPF). Por meio das redes sociais, os torcedores se mobilizam para engrossar o coro das críticas durante a partida de hoje à noite, contra o Paraná, no Estádio do Café.
A bronca da torcida alviceleste estourou após a partida do time contra o Coritiba, na última rodada do primeiro turno. De lá para cá, os protestos estouraram pela internet, pelas ruas e no estádio. Na partida contra o Rio Branco, três mil narizes de palhaço foram distribuídos aos torcedores e faixas foram estendidas, mas o árbitro Nilo Neves de Souza Júnior retardou o início do jogo até que fossem retiradas. No segundo tempo ocorreu o mesmo. Ele relatou na súmula. "No início do jogo observamos faixas com a torcida do Londrina com os seguintes dizeres: 'Dr. Eu não me engano, Afonso é coritibano' e 'Não vão nos derrubar no apito'. Assim pedimos que fossem retiradas para dar início ao jogo, o qual foi cumprido com agilidade", descreveu o apitador. "No 2º tempo observamos novamente as faixas, o qual o jogo estava em andamento. Então paralisei o jogo aos 8 minutos e pedi para retirar as mesmas. Os jogadores do Londrina fizeram gestos para a torcida retirarem (sic) as faixas, o qual também foi cumprido rapidamente", continuou.
No domingo, na vitória por 2 a 0 sobre o Nacional, em Rolândia, o protesto voltou a acontecer e a partida também foi paralisada para a retirada das faixas. O árbitro do jogo, Adriano Milcvski, também relatou na súmula. "Informo-vos que paralisei o jogo aos 7 minutos do 1º tempo para retirada de uma facha (sic) ofensiva, que estava presa ao alambrado na frente da torcida organizada do Londrina com os dizeres: 'Não vão nos derrubar no apito'. O jogo ficou paralisado por 3 minutos", relatou.
Os relatos dos protestos nas súmulas das partidas podem levar o Londrina novamente ao Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR). No Brasileirão do ano passado, uma torcedora do Náutico fez protesto semelhante, inclusive os dizeres da faixa eram os mesmos. O árbitro do jogo, Leandro Pedro Vuaden, também só autorizou o início da partida após a retirada da faixa. O Timbu foi acusado de infringir o artigo 191, incisos I e III, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) - deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento: de obrigação legal; de regulamento, geral ou especial, de competição. O clube pernambucano foi julgado, mas absolvido pelo STJD.
A alegação para vetar a exposição das faixas está sustentada no artigo 13 do Estatuto do Torcedor: "Não portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo".
A torcida, porém, diz que a proibição fere a Constituição Federal, conforme reza o artigo 5º. "É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição."
Quem encabeça os protestos é José Roberto dos Anjos, de 32 anos, da comunidade Tubanautas. "Isso é abuso de poder e viola a Constituição Federal. Estávamos fazendo um protesto pacífico, sem violência e apenas manifestando nossa revolta, que ainda não acabou e jamais acabará, enquanto esses caras continuarem na Federação", afirmou.
O grupo tenta reunir 30 mil assinaturas em um abaixo-assinado pedindo uma intervenção na FPF. Cerca de 13 mil assinaturas já foram obtidas e torcidas dos demais clubes do interior estão sendo convocadas para apoiarem o movimento. "Estamos enviando o abaixo-assinado para todas as torcidas do interior do estado, pois unidos, se criarmos uma liga, não tem mais campeonato", apontou. Além das duas faixas já mostradas, hoje eles estrearão uma nova, com os dizeres: "Sem times do interior não tem campeonato".


