Domingo, dia de clássico entre Atlético e Paraná Clube, no Estádio do Pinheirão, é sinônimo de casa cheia, certo? Errado. Dizer que a partida de hoje à tarde vai atrair a atenção de 5, 10, 15 mil pessoas não é tarefa fácil.
Bidus, videntes, adivinhos de boteco e torcedores apaixonados arriscam ‘‘chutes’’ de fora da área. Senhoras e senhores, façam suas apostas! Mas a dura realidade do futebol paranaense só vai aparecer nos minutos finais do jogo, no borderô da Federação.
Mas por que os grandes jogos vêm arrebanhando cada vez menos gente aos estádios?
Para o publicitário e ex-presidente do Paraná Clube, Ernani Buchmann, falta um pouco de tudo. ‘‘Para começar, a torcida paranista é caseira. Ela não vai ao campo, fica torcendo de longe, ao lado do radinho. Também é um torcedor humilde, que não pode desembolsar R$ 10,00 duas vezes por semana. Hoje, em média, são 2 mil, 2.500 torcedores que vão assistir aos jogos’’.
Buchmann garante que o torcedor está ligado no que está se passando. ‘‘O futebol está precisando de um choque de espetáculo. Também é preciso resgatar três coisas básicas: organização, tradição e ritos. O torcedor é sensível, ele sente as armações que acontecem por aí. O sujeito sente falta de grandes contratações, do bom espetáculo. Só oferecem a ele jogos normais, os estádios e gramados ruins, as arbitragens desastrosas, horários inadequados. Onde está o conforto, a cerveja gelada, o salgadinho gostoso?’, pergunta.
Menos crítico, o secretário-geral da torcida organizada ‘‘Os Fanáticos’’, Onivaldo Ferreira dos Santos, diz que 15 mil rubronegros vão colorir o Pinheirão hoje. ‘‘É o jogo que pode decidir o returno. Não podemos reclamar do preço do ingresso, porque precisamos ajudar o clube a construir a nova Arena da Baixada’’.
Já o diretor financeiro da paranista ‘‘Fúria Independente’’, Augusto Zibell Neto, admite que os tricolores não chegarão a 5 mil pagantes. ‘‘Nosso torcedor só gosta de ir na ‘boa’, na decisão do título’’.

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