Torcida não abre mão das vaias
Lucilia Okamura
De Londrina
O apelo feito anteontem pelo técnico Wanderley Luxemburgo para que a torcida apóie os jogadores brasileiros e evite as vaias não deverá ser acatado por todos os torcedores que forem hoje à noite ao Estádio do Café, onde a Seleção Brasileira enfrenta a Venezuela. Luxemburgo tenta evitar que as vaias do torcedor se tornem uma arma a mais dos retrancados adversários do Brasil nesta primeira fase do Torneio Pré-Olímpico.
Os torcedores têm opiniões diferentes sobre o pedido do técnico da seleção, mas todos concordam: os jogadores ainda estão devendo uma boa apresentação. Nem a vitória de 2 a 0 sobre o Equador, no último domingo, foi suficiente para aplacar a ira da torcida com o fraco futebol apresentado pela seleção.
Para o economista Alexandre Zaneda, o Brasil está jogando mal. Se o time não joga bem, a torcida tem o direito de vaiar, afirma. A seleção tem que fazer a parte dela, que é apresentar um futebol bonito. Ele assistiu ao primeiro jogo (empate de 1 a 1 contra o Chile) e saiu decepcionado. Agora só vou se o Brasil chegar à final, promete.
Mais complacente, a estudante Ariadne Daiane de Assis diz ser contra as vaias. A torcida tem que incentivar porque quanto, mais vaias, menor o retorno dos jogadores, observa, explicando que tem ido assistir a todas as rodadas. A dona de casa Sueli de Paula Barbosa Antunes tem a mesma opinião. Se os jogadores não tiverem o apoio da gente, como vão encarar os adversários?, questiona.
O office-boy Alexandre do Prado Campos foi ao Estádio do Café ver o Brasil derrotar a Venezuela por 2 a 0, mas sem apresentar um futebol convincente. Eu vaiei mesmo!, conta. Os jogadores não estão jogando nada e por isso não merecem apoio.
Carol Pieralisi, que ontem à tarde esteve na Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML) para assistir ao treino da seleção, afirma que fizeram muita propaganda da equipe. Colocaram os jogadores no topo, mas eles não corresponderam, critica.
Carol Pieralisi assistiu à ultima partida e afirma que as vaias foram merecidas. Eu não vaiei, mas deu vontade, confessa. Ela acredita que as críticas e, consequentemente, as vaias, vão continuar se o time não melhorar.
O técnico em telecomunicações, Paulo de Souza, acredita que no jogo de hoje à noite, o Brasil tem que deslanchar desde o início, assim a torcida vai apoiar. Se os jogadores começarem mal, os torcedores vão vaiar mesmo porque a paciência vai ser ainda menor do que na partida contra o Equador, afirma.
Torcida Organizada Se depender das torcidas organizadas do Londrina Esporte Clube (LEC), as vaias para a Seleção vão continuar. O presidente da Sangue Azul, Milton Aparecido da Silva, acredita que a torcida está apoiando o Brasil, tanto que tem comparecido aos jogos. É o time que não está fazendo por merecer este apoio, afirma. Segundo ele, a vaia é um instrumento válido dos torcedores. As vaias, inclusive, servem para o treinador refletir sobre como anda o time.
O presidente da Falange Azul, Fernando Cesar Pereira, disse que a Seleção Brasileira ainda está devendo uma boa apresentação. Não queremos apenas goleadas, queremos que o time mostre o que sabe, ressalta. E a Seleção não está livre de vaias, alerta.
Quem tem opinião diferente é o presidente da Força Unida Independente (FUI), Luis Alecio de Angelis. Segundo ele, a seleção não está 100%, mas deve ser respeitada. Confio no potencial da equipe e a torcida não pode desanimar, diz. Os torcedores devem apoiar e jamais vaiar.





