São Paulo - O Corinthians é um barril de pólvora perto de estourar. Mesmo na liderança isolada do Campeonato Brasileiro, o clima no clube é tenso. Um dia após o presidente cobrar, publicamente, os jogadores, ontem foi a vez de um grupo de torcedores mostrar a sua indignação com a equipe.
Cerca de 30 corintianos foram ao CT do Parque Ecológico, na zona leste de São Paulo, mostrar a sua revolta com a queda brusca de rendimento no Nacional. Levaram faixas, protestaram e, cerca de dez deles, conseguiram invadir o campo. A polícia e os seguranças do clube conseguiram evitar que chegassem às vias de fato, como aconteceu há sete meses, após a queda na pré-Libertadores, diante do Deportes Tolima, da Colômbia.
''Ingresso caro, futebol barato'', ''elenco medíocre'' e ''jogadores baladeiros'', diziam as faixas. Entre os gritos, alguns jogadores foram chamados de mercenários e foi pedida a saída de Danilo e Alessandro, além do já famoso ''não é mole, não, tem de ser homem para jogar do Coringão''.
Nesta quinta, no Pacaembu, o time recebe o Flamengo e novo tropeço - são 19 pontos desperdiçados nos últimos 11 jogos - custará a liderança da competição que já dura 15 rodadas.
Contra a fúria da torcida, Tite promete vitória e um futebol vistoso. O discurso, confiante, é de que o futebol das rodadas iniciais tem tudo para voltar após ''jogo com alma'' nos 3 a 2 diante do Grêmio e ''65 minutos de alto padrão, imposição'', diante do Coritiba, na derrota por 1 a 0. ''A gente quer manter a liderança com nível de aproveitamento'', disse o treinador.
Prestigiado no clube, ele reprovou a atitude dos torcedores e pediu apoio para superar o forte Flamengo. ''É desagradável, ninguém gosta e não precisa ser assim. Local de trabalho é sagrado e estamos preparando o Corinthians, que tem milhões de torcedores, por isso não vamos confundir'', afirmou. ''Foi um fato isolado, de um pequeno número de torcedores, que não serve de motivação, mas que não interferiu''.

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