Agência Folha
De São Paulo
Apesar da derrota no Japão, o Palmeiras foi recebido com festa ontem pela manhã, na chegada do time a São Paulo. Já o Manchester, apesar da vitória e da conquista do título Mundial interclubes, foi recepcionado com indiferença por sua torcida, no retorno da equipe para a Inglaterra. Enquanto cerca de 150 torcedores madrugaram para esperar o Palmeiras – boa parte chegou ao aeroporto de Cumbica antes das 6 horas da manh㠖, não havia, segundo a imprensa inglesa, mais de 15 aficcionados aguardando, na Europa, os campeões.
Na chegada do Palmeiras, os mais aguardados foram o técnico Luiz Felipe Scolari e o goleiro Marcos, que falhou no único gol do Manchester e assumiu a culpa pela derrota. Quando o treinador apareceu, foi recebido por gritos de ‘‘Fica Felipão, ano que vem a gente volta para o Japão’’.
Já Marcos, um dos últimos a sair da alfândega, foi presenteado pela torcida com duas faixas que lhe davam apoio. ‘‘Vocês estão de parabéns. Lá no Japão, foram um espetáculo. Já a gente...’’, disse Scolari para um torcedor da Mancha Alviverde. Um pouco depois, o técnico reconheceu que esperava uma recepção calorosa. ‘‘Jogamos melhor, perdemos muitas chances de gol, o torcedor percebeu nosso esforço. Se tivéssemos perdido por três ou quatro gols, seria diferente. Mas não foi este o caso.’’
Marcos afirmou ter ficado surpreso com todo o apoio. ‘‘Não esperava tanto carinho. Estou feliz, porque há três dias não durmo direito e estou vendo que a torcida está do meu lado. O que importa para mim é isso, a torcida do Palmeiras. O que as outras estão pensando não me interessa.’’
Mas nem todos foram tão incentivados quanto Scolari e o goleiro Marcos. O meia Zinho e o zagueiro Júnior Baiano, por exemplo, chegaram a ser chamados, em meio a alguns aplausos, de ‘‘mercenários’’. Zinho, para piorar, teve de ouvir três torcedores chamá-lo de ‘‘enceradeira’’, apelido que o marcou na Copa dos Estados Unidos, em 1994, por prender muito a bola e fazer jogadas sem objetividade.
Demonstrando abatimento, os dois não reagiram às críticas e às gozações. ‘‘Estou muito triste não só por mim, mas principalmente por eles (torcedores)’’, limitou-se a dizer o meia. ‘‘Foi um dia em que tudo deu errado. Perdemos uma batalha, mas não a guerra. Ano que vem, quem sabe,
tem mais’’, comentou o zagueiro.
É o que espera também Scolari. ‘‘O Palmeiras tem a vaga garantida na Libertadores, pode ir para Tóquio de novo, por que não?’’, perguntou. ‘‘E depois também estamos garantidos no Mundial de Clubes de 2001’’, disse ele.
Sobre seu futuro, voltou a dizer que pretende cumprir seu contrato até o final – dezembro do ano que vem.
Para a partida contra o San Lorenzo, na próxima terça-feira, em São Paulo, pela Copa Mercosul, Scolari e seus comandados acham que o Palmeiras terá novamente o apoio da torcida. Temem, no entanto, a possibilidade de o time entrar em campo desanimado. ‘‘É o que não pode acontecer, mas hoje é muito cedo para fazer uma avaliação (do estado emocional do grupo)’’, disse o técnico. No jogo de ida, o Palmeiras perdeu para o San Lorenzo por 1 a 0. Agora, em casa, tem de vencer.Apesar da derrota para o Manchester, alviverde teve recepção calorosa. Zinho e Roque Júnior foram hostilizados
- Itamar Miranda/AEEXPLICAÇÕESO goleiro Marcos fala à imprensa após o desembarque do Palmeiras no Aeroporto Internacionalde São Paulo, em Cumbica

mockup