Torcida faz festa com campeões na Higienópolis
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domingo, 28 de agosto de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Se não fosse pelo Luxemburgo o Londrina provavelmente não conseguiria o título da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. Vestido com um terno marrom, sapato e uma camisa do Tubarão, o ensacador Wilson Gonçalves já é uma figura bem conhecida da torcida londrinense. Durante os jogos do LEC, ele não para um minuto sequer de passar orientações para os jogadores, é assim há anos.
Mas neste ano ele decidiu encarnar de vez o personagem, Vanderlei Luxemburgo. Não é à toa que tirou o terno do armário. ''Foi um jeito de ajudar o time a subir'', comentou. Ontem, durante a festa da torcida, que reuniu centenas de pessoas na Avenida Higienópolis, Gonçalves foi homenageado com coro da galera: ''Luxa é seleção''.
Pouco depois das 19 horas, quando os jogadores e a comissão técnica do Londrina chegaram para a comemoração na Higienópolis, Luxemburgo foi um dos primeiros a sair correndo atrás do caminhão do Corpo de Bombeiros.
O professor Geraldo Zamaia estava também na multidão que gritou ''é campeão'', com os jogadores. ''A esperança voltou. Estou aqui com a minha bandeira que estreei em 1977, no segundo jogo do Londrina com o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro, quando o LEC ficou entre os quatro. No primeiro jogo do Paranaense do ano que vem vou estrear uma bandeira nova, porque agora acredito que vai começar uma outra fase, melhor''.
O aposentado Milton Aparecido Camargo foi o grande sortudo da noite. ''Ganhei das mãos do Arthur a camisa autografada por todo o time. Essa eu vou guardar com muito carinho. É melhor que ganhar na loteria esportiva'', comemorou.
Pênalti
Bem antes da festa, ainda no segundo tempo da partida de ontem, o árbitro marcou penâlti para o Londrina. Luxemburgo estava se equilibrando em pé no alambrado e com o apito da penalidade ele pulou e saiu correndo subindo as arquibancadas e abraçando outros torcedores, próximo à divisa com a área coberta do Estádio do Café.
Após a cobrança errada de Airton, Luxemburgo voltou desolado para sua ''área técnica''. E observou: ''faltou tranquilidade''. Pouco depois ao perceber um certo cansaço dos jogadores, esbravejou: ''tenho jogador no banco, quem não tiver vontade vai sair''.
Como era a primeira vez que o pequeno Diego Leonardo, de 12 anos, ia a um estádio ele ainda não conhecia o Luxemburgo. Leonardo é uma das 50 crianças que fazem parte da ONG Galera de Deus que foi ao jogo - a instituição atende menores de idade em bairros na zona leste de Londrina. ''Pelo menos umas 30 crianças que vieram nunca tinham ido ao estádio ver futebol'', disse o diretor da ONG Marcelo Casanova.
No final da partida, quando os jogadores davam a volta olímpica no Estádio do Café, recheado com 8 mil torcedores, as crianças puderam entrar no gramado. ''É inesquecível o que gente fez hoje. Eu segurei a taça. Era pesada'', comemorou Leonardo.


