Na rodada final, bom futebol da seleção é aplaudido pelo torcedor de Londrina
Paulo WolfgangO cantor Leonardo: assédioPaulo WolfgangGentil Rosa, com a camisa do Londrina: contra as vaiasPaulo WolfgangLeonice: aplausos merecidosPaulo WolfgangLADO A LADOO chileno Sérgio Reyes (E) e Rosalina Rodrigues dos Santos (D), que gravou CD em homenagem à seleçãoJanaina Tupan Frare
De Londrina Parece que os torcedores que compareceram ao Estádio do Café, ontem à tarde, para torcer para o Brasil, apagaram da memória a má atuação dos pupilos de Luxemburgo nos primeiros jogos do Torneio Pré-Olímpico. ‘‘Agora não temos do que reclamar’’, disse Zeneide Blanco, 45 anos.A Seleção Brasileira encontrou uma certa resistência da torcida londrinense nos primeiros jogos do Pré-Olímpico e foi muito vaiada. Sem uma resposta dentro de campo, o torcedor cobrou melhor desempenho, cantando: ‘‘Ô seleção, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver’’.
Mas ontem o torcedor só quis saber de festa. E o repertório da torcida já era outro. O côro ‘‘Eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor!’’, traduzia em música o sentimento dos torcedores que estavam no Café.
Além da felicidade pelo título brasileiro conquistado após o empate de 2 a 2 com o Uruguai, os torcedores tinham mais uma razão para comemorar. O Chile, que conquistou a simpatia do torcedor brasileiro – após a milagrosa classificação para a final – também conseguiu a tão sonhada vaga para as Olimpíadas de Sydney.
O torcedor chileno Sérgio Reyes, 27 anos, mostrou o seu sentimento pelas duas seleções sul-americanas que garantiram a vaga olímpica. Com a camisa do Brasil e a bandeira do Chile, Reyes explicou o porquê da dupla torcida. ‘‘Apesar de eu ser chileno e torcer para o meu país, não posso deixar o Brasil de fora. O Brasil é o meu segundo time e é a Seleção que mais merece aplausos’’.
O cantor sertanejo Leonardo também se fez presente no estádio. Sofreu intenso assédio das tietes e acabou refugiando-se na cabine da Rede Globo.
Para Zeneide Blanco, até mesmo se os jogadores perdessem o jogo contra o Uruguai, mereciam sair aplaudidos. ‘‘A vaia serviu para acordá-los. Depois que a torcida implicou com os jogadores e com o próprio Luxemburgo durante os primeiros jogos, eles melhoraram’’.
Já o torcedor Jorge Casagrande, 42 anos, acredita que o time só melhorou porque o técnico Wanderley Luxemburgo atendeu as solicitações da torcida. ‘‘Na verdade, nós é que escalamos o time’’.
O torcedor Gentil de La Rosa, 74 anos, não faltou a nenhum jogo, mas discordou das vaias. ‘‘Eu sabia que veria um bom futebol. Só o fato de ser a Seleção Brasileira, já compensa’’.
O casal José Carlos, 46 anos, e Leonice Esplendor, 50, veio de de Ibiporã, cidade vizinha de Londrina, com a filha Fiama, 12, para assistir à última rodada do quadrangular final. ‘‘Vimos o que queríamos. Agora, depois que o Brasil jogou um bom futebol, merece todos os aplausos do mundo’’, disse Leonice.