Paulo Briguet
Enviado da Folha
Enfrentando chuva e frio, cerca de quatro mil pessoas fa ziam fila ontem à tarde, no cen tro de Ciudad del Este (Para guai), para comprar in gressos do jogo Brasil x México. A partida será realizada amanhã, no Estádio Tres de Febrero, a partir das 16 horas. O comitê organizador da Copa América colocou ontem apenas três mil ingressos à venda para o público da cidade, na agência do Banco Continental, único ponto de venda oficial. O estádio de Ciudad del Este tem capacidade para 28 mil pessoas.
A polícia paraguaia reforçou o esquema de segurança nas proximidades do banco após os tumultos de segunda-feira. Ontem, com a informação de que haveria ainda menos ingressos disponíveis, a procura e a fila diminuíram.
Segundo a gerência do banco, há poucas chances de que mais ingressos sejam postos à venda hoje. No banco, os preços são oficiais (R$ 12,00 para arquibancadas e R$ 30,00 para cadeiras). Mas a maior parte dos ingressos está sendo vendida com ágio por cambistas ou agências de turismo.
O eletricista Asencio González Benitez, 22 anos, estava em primeiro lugar na fila. Ao ser entrevistado pela Folha, ele completava 35 horas de espera por um ingresso. Havia chegado à porta do banco na terça-feira, às 4 da manhã do Paraguai (5 horas do Brasil). Só às 18 horas de ontem o banco iria abrir as portas para a venda de ingressos. Admirador do futebol brasileiro, ele não havia conseguido entradas para o jogo anterior, quando houve tumulto e mais de 10 mil pessoas procuraram o Banco Continental (apenas 7 mil ingressos foram colocados à venda). ‘‘Tomei chuva, meu único cobertor é esta jaqueta, mas estou aqui. Só direi que valeu a pena quando estiver com o ingresso na mão.’’
A enfermeira Sônia Ferreira, que trabalha para a Prefeitura de Foz do Iguaçu, só não tomou chuva ontem à tarde porque os companheiros de fila lhe cederam lugar sob uma marquise. Ela chegou às 3 horas da manhã de quarta-feira para conseguir o ingresso e espera que o garoto Ronaldinho apronte suas estripulias também contra o México. ‘‘Vale a pena passar a noite na calçada para ir ao jogo’’, diz Sônia.
O comerciante Tomas Manoel Melgarejo, havia chegado às 15 horas do dia anterior, deixou um amigo para cuidar do lugar na fila, assistiu à goleada do Brasil sobre a Venezuela e voltou para atravessar a madrugada aguardando o ingresso para a segunda rodada. Ele tomou muita chuva, mas diz não ter medo de ficar doente. ‘‘Nós paraguaios somos muito fortes’’, diz. Tanto sacrifício compensa - se for para ver em ação a ‘‘pura máquina’’, como ele define a Seleção Brasileira.
A Copa América está sendo difícil para a gerente do Banco Continental em Ciudad del Este, Francis Cabriza de Olivera. Ela conta que tem recebido muita pressão de pessoas que querem comprar ingressos sem enfrentar fila. Mas ela garante que não há privilégios para ninguém.Apenas três mil bilhetes foram postos à venda em Ciudad del Este. Primeiro da fila esperou mais de 30 horas na calçada
Ney de SouzaAtração binacionalBrasileiros e paraguaios na fila: gerente de banco denuncia pressão de quem quer comprar ingresso sem espera

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