Torcida do São Paulo pede cabeça de Juvenal
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Fernando Faro <br> Agência Estado 
São Paulo - Acostumado a comandar o São Paulo com pulso firme e sem uma oposição capaz de enfrentá-lo, Juvenal Juvêncio começa a sentir na pele a fúria da torcida. A exemplo do que aconteceu na derrota para o Vasco, o presidente foi eleito o grande vilão do momento e ouviu xingamentos e pedidos de renúncia ao cargo. Na madrugada desta quinta-feira, após a derrota para o Atlético Goianiense, os muros do CT da Barra Funda foram pichados com ofensas, rapidamente apagadas. Esse foi apenas o último de uma sequência de episódios que vêm ganhando tons cada vez mais elevados e as cobranças podem ficar mais fortes.
O ponto central da briga diz respeito à mudança estatutária que aumentou de dois para três anos o mandato do presidente e abriu uma brecha jurídica para o seu terceiro mandato consecutivo. A iniciativa é tratada pelos torcedores como um ''golpe'' para sua manutenção. A oposição tenta impugnar a manobra e, mesmo com algumas vitórias na Justiça, não conseguiu novas eleições.
Poucos são os que tentam fazer frente às vontades do homem forte, por temerem represálias ou simplesmente por acreditarem que sua força é tamanha que dificilmente terão êxito.
Antes motivo de orgulho, o decantado planejamento que transformava o São Paulo, na visão de seus diretores, em um clube ''diferente'', foi para o espaço. Desde a queda de Muricy Ramalho, em 2009, seis técnicos (incluindo Ney Franco) passaram pelo Morumbi sem sucesso e dezenas de jogadores, muitos de qualidade duvidosa, foram contratados.
Irritado com o fraco desempenho da temporada passada, Juvenal Juvêncio fez grande reformulação e montou uma equipe competitiva, mas deu azar em perder por lesão alguns atletas que teriam postos-chave como Rogério Ceni, Wellington e Fabrício. A torcida reclama e pede mais.
No clube, suas atitudes já não são tão unânimes. O estilo de tomada de decisões baseado na própria intuição tem incomodado diretores próximos e o afastou de Marco Aurélio Cunha, ex-superintendente e um dos seus maiores conselheiros. Na contratação do volante Paulo Assunção, por exemplo, negociou sozinho e só avisou aos demais no dia seguinte.
Para piorar, a sequência avassaladora de conquistas entre 2005 e 2008 ficou para trás e nesse período os são-paulinos viram os principais rivais levantarem conquistas importantes, incluindo as Copas Libertadores de Santos e Corinthians. À medida que o horizonte aponta para mais um ano de seca, o racha entre presidente e torcedores deve aumentar cada vez mais. Resta saber até onde a tensão irá chegar.


