Torcedores insatisfeitos, prevendo boicotes aos jogos e até tentando articular uma ‘‘greve geral’’. É com esse espírito que as maiores torcidas organizadas do Atlético, Coritiba e Paraná Clube estão encarando a realização da Copa João Havelange no lugar do Campeonato Brasileiro. Para os torcedores, o fato de não valer nada e de ter sido criada para prejudicar o Gama deixa a competição desacretidada e desestimulante.
A indignação do presidente da torcida coritibana Império Alviverde, Luiz Augusto Stelfeld, o levou a tentar organizar um movimento nacional de protesto contra a Copa João Havelange. ‘‘É uma tremenda palhaçada o que os dirigentes conseguem fazer. Aproveitam uma brecha para criar uma competição e trazer de volta à primeira divisão clubes falidos como o Fluminense. Por isso, estou conversando com os presidentes das organizadas do Brasil inteiro para tentar articular uma greve geral, não indo aos jogos.’’
Se a greve não der certo, Stelfeld promete pelo menos muitos protestos. ‘‘Se formos aos jogos vamos levar faixas e protestar sempre contra essa politicagem que deixa o futebol cada vez mais ridículo.’’
O presidente da Fanáticos, torcida atleticana, Júlio César Sobota, criou seu próprio método de protestar. Segundo ele, por causa da desorganização em que o futebol chegou, não acompanha mais as notícias. ‘‘Não ouço rádio, não leio jornal e não assisto aos programas esportivos para não me informar de tanta besteira que esse pessoal faz. Só sei que, como torcedor, vou aos jogos para cumprir meu papel.’’
Apesar disso, ele confessa que perde um pouco a motivação em acompanhar o Furacão sabendo que não há chance, por exemplo, de chegar à Libertadores. ‘‘O Brasileiro já estava consolidado e empolgava, pois trata-se de um título importante para qualquer clube.’’
Para Márcio Alexandre Silvestre, presidente da Fúria Independente, torcida do Paraná Clube, não há por que o torcedor se motivar se o clube não tem um grande objetivo. ‘‘O Paraná até pode brigar pelo título. Mas o que adianta ser campeão dessa copa?’’
O pensamento dos torcedores que não fazem parte das organizadas não é tão diferente. O auxiliar de necrópsia, Alexandre Kugler, torcedor do Coritiba e do Palmeiras, é enfático: ‘‘Vou passar longe dos estádios. Não dá para prestigiar uma competição criada com interesse políticos’’, disse.
O estudante João Gruczkowski, torcedor do Paraná, afirmou que o desânimo com a Copa João Havelange é automático. ‘‘Costumava sempre acompanhar os jogos do Paraná, mas agora não vejo motivação, pois o meu time está na segunda divisão e não tem como subir para a primeira. É uma tremenda sacanagem essa competição.’’
A diferença de motivação entre o Brasileiro e a Copa João Havelange é bem exemplificada pelo estudante Dionathan Silvestre, que torce pelo Atlético e pelo São Paulo. ‘‘Nos anos anteriores ía até São Paulo para ver o time jogar no Brasileiro. Agora, não vou ver nem os jogos do Atlético em Curitiba.’’

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