Torcida chora a perda do título
Áureo Nogueira
De Londrina
O que era euforia virou decepção. Em resumo, foram assim as duas horas que cerca de 100 torcedores passaram ontem de manhã no Bar do Souza, tradicional ponto de encontro dos palmeirenses em Londrina, durante a decisão do Mundial Interclubes entre Palmeiras e Manchester.
Torcedores de ambos os sexos e de todas as idades muitos com a camisa do clube, outros com a de torcidas organizadas, alguns vestindo a própria bandeira alviverde foram lá torcer pelo Verdão. Havia também outros à paisana seriam corintianos infiltrados?
O clima foi de tensão desde o início da transmissão, às 8 horas. O jogo seguia equilibrado e o Palmeiras enfrentava dificuldade para ameaçar o gol inglês. Os palmeirenses roíam unha quando o time era atacado. E gritavam Uuuhhh!!! a cada ataque alviverde frustrado. Nos momentos mais agudos, alguns arriscavam com tímidas palmas.
Rapaz, está difícil - disse um torcedor, esfregando as mãos como quem quer dissipar o frio provocado pela tensão.
Mas está bom. O time está jogando bem - tranquilizou outro, tentando transmitir confiança ao parceiro de sofrimento.
Aos 35 minutos de jogo, o pior momento: Marcos rebate mal uma bola cruzada da esquerda, o capitão inglês Keane faz Manchester United 1 a 0. Silêncio sepulcral no Bar do Souza. Nem fogos de corintianos se ouviu.
Surpreendentemente, o gol dos vermelhos ingleses serviu para reduzir a tensão; pelo menos aparentemente. Até o final do primeiro tempo, os torcedores já não manifestavam tanto nervosismo, ainda que a preocupação fosse a mesma dos minutos iniciais. Houve momentos de silêncio, com reações somente nos ataques do Verdão. A cada lance mais agudo havia um comentário aqui, outro acolá.
Perdemos muitos gols - analisou um torcedor ao final do 1º tempo.
Placar injusto - emendou outro.
Todos ainda acreditavam numa virada.
O segundo tempo começou com o Palmeiras atacando. Aos 10 minutos, Alex entrou livre na área vermelha e provocou a explosão: Gooooollllll... Alívio estampado na cara dos palmeirenses. Mas o árbitro anula, alegando impedimento. E o alívio dá lugar à indignação. De volta, o sofrimento.
Mas o gol anulado animou a galera. Pela primeira vez durante o jogo o Bar do Souza ecoou o grito de guerra: Palmeiras! Palmeiras! Palmeiras! Olê, Olê, Olê, Porco! Porco!
A partir dos 25 minutos, os torcedores começaram a se irritar. A cada jogada errada ou gol perdido eles reagiam com palavrões. À medida que o final do jogo ia se aproximando, o desespero tomava conta do coração e do semblante dos alviverdes.
É duro. O time está jogando bem, mas a bola não entra. Se o time estivesse mal, a gente até que aceitava a derrota, mas assim é muito mais difícil - disse o torcedor mais nervoso no Bar do Souza, que não quis revelar o nome porque estava matando o serviço.
Já nos descontos da partida, a maioria dos torcedores ficou de pé. O drama maior veio quando o árbitro encerrou o jogo, aos 48 minutos. O sonho havia acabado. Dispersão geral. Em um canto, o choro incontido. De consolo, restou cutucar os arquiinimigos corintianos, na voz de outro anônimo palmeirense:
Nós chegamos ao Japão. Eles nem do Paraguai passaram.Bandeiras na decoração, unhas roídas: em frente à TV, a frustração estava na cara de todos os palmeirenses
Mario CesarSOFRIMENTO EM CONJUNTOTorcedores se desesperam com mais uma chance de gol desperdiçada pelo Palmeiras no Japão: sentimento geral de que o time jogou bem e o placar foi injusto





