Fundada em 18 de dezembro de 1974, a Sociedade Esportiva Matsubara reacendeu a chama do profissionalismo em Cambará, se tornou vice-campeão estadual logo em 1976 e a torcida iniciou a construção do estádio próprio, concluído por etapas entre 1980 e 1995. Sob a liderança de Vicente Camargo, hoje com 89 anos, a TOM recebeu doações, rifou automóveis e vendeu antecipadamente 330 cadeiras cativas, comprou dois alqueires e gradativamente ergueu o Estádio Regional de Cambará, cedido em comodato por tempo indeterminado ao Matsubara, ‘‘desde que o conservasse’’.
  Veio a ruptura, em 1995, quando o clube formou o seu time profissional mais forte (Neto e Tadeu faziam parte) e o deslocou para Londrina, classificando-se em terceiro lugar no estadual. Desde então, não há jogos oficiais no estádio da TOM e o Matsubara chegou a ‘‘mandar’’ jogos até em Ponta Grossa.
  ‘‘As empresas de Cambará não nos ajudam. Na Prefeitura, nem um copo d’água’’, justifica Shigueo Matsubara a possível programação dos jogos em outra cidade, tendo sido cogitada inicialmente Cornélio Procópio. ‘‘Mas somos guerreiros’’, ressalva, para informar que o clube tem dinheiro a receber, da transferência de atletas formados em suas bases e está tentando conseguir patrocínio para o time profissional.
  Segundo Shigueo, o campeonato da terceira divisão vai começar no segundo semestre e até lá não exclui a hipótese de jogos em Cambará, reconhecendo que a TOM ‘‘tem permanecido aberta’’. Entretanto, mesmo na terceira divisão, as despesas são altas e muitas as exigências quanto a estádio, tanto é que os de Cambará e Cornélio Procópio estão interditados, argumenta. O clube não é ‘‘um sugador’’, apenas depende de apoio na atual conjuntura, segundo Shigueo.
  Indagado se a torcida e o clube estão ‘‘divorciados’’ e a reconciliação possa estar próxima, Shigueo responde que tinha 17 anos quando o Matsubara foi para Londrina. ‘‘Houve ciumeira e hoje acho até que foi precipitado, mas não com a intenção de menosprezar Cambarᒒ, pondera. ‘‘Já faz 16 anos, vamos esquecer isso.’’ A respeito da falta de manutenção do estádio, motivo para a TOM retomá-lo, Shigueo deu a entender que a responsabilidade não era exclusiva do clube, que chegou a dispender 30 mil reais em reparos.   ‘‘Não temos como pedir mais à cidade’’, diz Waldir de Camargo, vice-presidente da TOM, que obteve a reintegração de posse do estádio há dois anos, justamente por falta de manutenção. Acompanhado de Moacir Tavares Duarte e Ovanir dos Anjos, respectivamente presidente e diretor da associação, ele mostra que foram roubados os componentes de uma das torres de iluminação e grande parte dos 900 m2 da cobertura de um setor das arquibancadas, além de outros danos. Os diretores informam que as obras no momento são possíveis porque a TOM vendeu um pedaço da área externa, sem prejuízo para o estacionamento.
  ‘‘Há times profissionais que não possuem um estádio assim’’, observa Waldir, lembrando que as obras agora vão satisfazer, também, novas exigências da Federação Paranaense de Futebol. Segundo os diretores, o estádio será posto à disposição do Matsubara. (W.S.)

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