O Estádio Trois Sapins ficou lotado no último treino da Seleção Brasileira em Ozoir-la-FerriSre. A convivência por quase dois meses terminou ontem, com muita festa e homenagens mútuas. Os torcedores aplaudiram a equipe que vai desafiar a França na decisão de amanhã. Os jogadores agradeceram o carinho dos moradores dirigindo-se às arquibancadas do estádio para saudar o público. A Seleção vai deixar saudades.
‘‘Ozoir-la-FerriSre deu muita sorte para o Brasil’’, comentou o prefeito Jacques Loyer, comemorando o incentivo ao comércio provocado pela presença da Seleção na cidade. ‘‘Agora nossa cidade é conhecida em todo mundo.’’ O prefeito entregou para cada jogador uma sacola com uma medalha, um livro e uma fita de vídeo como souvenir. Loyer espera convencer os vereadores da cidade a aceitarem o projeto de mudança do nome do Trois Sapins para ‘‘Estádio Cláudio Taffarel’’, em homenagem ao goleiro que colocou o Brasil na decisão da Copa do Mundo.
Os jogadores gostaram do carinho recebido nestes 50 dias de permanência na cidade. ‘‘Nos sentimos em casa’’, disse o meia Rivaldo. ‘‘Vamos retribuir o apoio com o título’’, prometeu o lateral-esquerdo Roberto Carlos.
Nas arquibancadas, cerca de duas mil pessoas, entre brasileiros, franceses e até japoneses, tiravam as últimas fotos de recordação dos craques. ‘‘Vim de Tóquio só para estar perto do Leonardo’’, destacou a japonesa Yuka Kobayashi, de 22 anos, que carregava uma faixa com o nome do seu ídolo. ‘‘Ele é perfeito: inteligente, habilidoso, artístico e respeita muito as mulheres.’’
Torcedora do Kashima Antlers, ex-time de Leonardo, Yuka revelou que no ano passado veio a Paris em uma excursão chamada ‘‘Leonardo’s Tour’’, que trouxe vários japoneses ao encontro do jogador, então atuando no Paris Saint-Germain. ‘‘Já o encontrei quatro vezes quando o Leonardo jogava no Japão, e agora quero estar perto dele quando o Brasil conquistar o título mundial’’, disse Yuka.
As primas portuguesas Betty Ferreira e Ângela Gomes, ambas com 19 anos, que moram em Ozoir, lamentaram a despedida da Seleção. ‘‘Só achei ruim que os jogadores não chegam perto da gente’’, reclamou Ângela. Dois jovens franceses desafiaram a torcida brasileira e, pintados com as cores da França, exaltaram a seleção local. ‘‘Tenho certeza de que a França vai ser campe㒒, disparou Olivier Petermann, de 18 anos, seguido por vaias dos franceses que estavam ao lado, mas já declararam a preferência pelo Brasil.
A festa esquentou com a chegada de um grupo folclórico de Garanhuns (PE), o Boi Macuca. Tocando músicas típicas do Nordeste brasileiro e dançando ao ritmo do bumba-meu-boi, os artistas se tornaram uma atração à parte no último dia de festa em Ozoir. O ônibus da Seleção deixou o estádio às 19 horas buzinando para o público. Hoje, o Brasil treina apenas no hotel em Lésigny. Ozoir,ficou no passado. Quando o time partiu, o prefeito Loyer comentou, baixinho: ‘‘Acho que agora a gente merece umas férias’’.

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