Torcida ainda
lembra grandes
façanhas do ídolo
O jogo já passava dos 45 minutos do segundo tempo e o Grêmio Portoalegrense vencia por 1 a 0. O garoto loiro e magro que estreava no Coritiba recebeu a bola em velocidade na entrada da área. Driblou um zagueiro e outro, driblou também o goleiro e empatou o jogo para o delírio da torcida coxa-branca. Começava ali, em 1966, o entrosamento perfeito entre o Coritiba e o melhor jogador do clube em seus 90 anos: Dirceu Kruger, o ‘‘Flecha loira’’. O casamento continua firme até hoje, 33 anos depois da primeira partida.
Artilheiro de gols decisivos e passes precisos, Kruger nascido na Barreirinha, em Curitiba. Foi do Britânia para o Coritiba e nunca deixou o clube nem a cidade. Hoje comanda o Departamento Amador do clube, junto com o ex-ponta Tico, bem mais jovem. Ali, tenta repassar aos garotos um pouco da sua arte simples.
É com cortesia e um quê de timidez que ele recebe os cumprimentos de fãs que guardam na memória grandes lances de sua carreira. Modesto, fica entre lisonjeado e constrangido quando o aposentado Antônio Ataídes Taques Martins, 56 anos, gesticulando muito, tenta imitar suas inesquecíveis façanhas. ‘‘Aquela vez contra o Café, em Cianorte, você foi na corrida driblando a defesa inteira e quando veio o goleiro você driblou também, parou a bola em cima da linha e rolou para o Kosilek fazer o gol.’’ Kruger sorri e explica: ‘‘É que o Kosilek vinha atrás de mim gritando para deixá-lo fazer o gol.’’

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