São Paulo, 01 (AE) - Chegar às finais do Torneio Rio-São Paulo não foi o suficiente para mudar a opinião da torcida organizada Mancha Alviverde, que continua contrária à permanência da co-gestora Parmalat e do técnico Luiz Felipe Scolari no comando técnico do Palmeiras. Muitos integrantes da organizada compareceram hoje no Morumbi e, apesar de torcer pelo sucesso do time, faziam muitas críticas ao técnico palmeirense. "O mérito é do time, não do técnico. Todos falavam que este time não passava das semifinais, mas chegamos até aqui. Isso porque são jogadores mais humildes, que têm vontade de vencer. No ano passado, a gente tinha jogadores mais famosos, mas não tinham garra nenhuma. É como você estar com fome e colocar um prato de comida na sua frente. O Palmeiras está jogando dessa maneira. Com fome", comparou um integrante.
Luiz Felipe pode deixar o Parque Antártica, hipótese que ele admitiu publicamente desde que haja proposta para dirigir um time europeu. Para integrantes da torcida organizada, se ele for embora, não fará falta: "Ele não fez nada. São os jogadores que estão dando o sangue. Essa é a diferença do Palmeiras de hoje e o do ano passado." A co-gestora Parmalat também é alvo de críticas. "Eles venderam todo mundo e não trouxe ninguém. Se eles quisessem manter um time forte, tinha de trazer alguém. Não entendo porque eles não vão embora. O Palmeiras é muito mais importante que essa empresa."
Em relação a segurança, a Polícia Militar não teve grandes problemas no Morumbi. As torcidas de Palmeiras e Vasco são co-irmãs e houve várias manifestações de amizade na frente do Morumbi. Vieram apenas 12 ônibus do Rio, que receberam escolta policial, mas pelo receio de possíveis emboscadas feitas por torcedores do São Paulo e do Corinthians. O major Marinho, comandante do II Batalhão da PM, responsável pelo policiamento, explicou: "Nunca houve problemas entre Palmeiras e Vasco. Elas se confraternizam bastante."
No lance da arquibancada reservada a torcida vascaíva, o serralheiro carioca João Lúcio Massena, de 27 anos, vestia uma camiseta do Palmeiras e jurava amor pelos dois times. "Eu sou Vasco no Rio e Palmeiras em São Paulo. As duas torcidas sempre se deram bem. Na final do Brasileiro de 97, eu vendi faixas de campeão do Vasco para a torcida palmeirense numa boa." Sua maior bronca era com o amigo Edmar Silva Pinheiro, flamenguista, que torcia para o Palmeiras e estava ao seu lado no Morumbi: "Vim secar o Vasco. Vou comprar uma camisa do Palmeiras e a faixa de campeão", provocava.
Segundo os torcedores, a amizade entre palmeirenses e vascaínos deve-se a formação de dois grandes blocos informais de torcedores. De um lado estão Palmeiras, Vasco, Grêmio e Atlético Mineiro. Do outro, os arqui-rivais Corinthians, Flamengo, Inter de Porto Alegre e Cruzeiro. Apesar do tempo instável e dos congestionamentos, a torcida compareceu em bom número. Houve filas nas bilheterias, provocadas pelo pequeno número de guichês aberto.