Torcida acirra rivalidade em terra estrangeira
Valmir Denardin
Enviado a Ciudad del Este
Mesmo jogando em um palco estrangeiro, as seleções de Brasil e Argentina se sentiram em casa ontem, na disputa de uma das vagas nas semifinais da Copa América. A paraguaia Ciudad del Este é uma das pontas da Tríplice Fronteira. As outras duas são Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú (Argentina).
Os brasileiros ocuparam cerca de 70% dos 28 mil lugares do Estádio Tres de Febrero. Para compensar a inferioridade numérica, os argentinos, mais articulados na torcida, conseguiram fazer quase tanto barulho quanto os rivais.
Acompanhado do filho Fernando, de 16 anos, e cinco amigos, o vendedor Daniel Purco, de 44 anos, viajou, de carro, durante mais de 15 horas para ver o jogo. O grupo mora em Rosario, a 1.300 quilômetros da fronteira com o Brasil.
Por uma precaução justificável, a Polícia Nacional paraguaia isolou os dois setores de arquibancada, dividindo as torcidas. Nas duas áreas de cadeiras numeradas, onde essa providência não foi tomada, houve muita provocação, algumas discussões e até brigas.
Além dos brasileiros, a Seleção contou com uma torcida extra: os paraguaios que foram ao estádio, que enfatizam a histórica antipatia em relação aos argentinos. Já que o Paraguai caiu, de agora em diante vou torcer para o Brasil, contou o vendedor de refrigerantes Julian Borja, de 40 anos. A seleção paraguaia foi eliminada pelo Uruguai, anteontem.
Com a saída da Argentina, ontem, a Tríplice Fronteira mantém apenas um representante - o Brasil - nas semifinais. Os outros classificados são México, Uruguai e Chile.
Os argentinos foram os primeiros a chegar ao estádio. Às 14h30, três horas e meia antes do início do jogo, já havia cerca de 500 argentinos no estádio - número, até então, bem superior ao de brasileiros.
Uniformizados, com bandeiras e gritos de guerra ensurdecedores, eles se posicionaram principalmente nas arquibancadas atrás das traves, na tentativa de atrapalhar o goleiro adversário.
Pelo que se viu, em vão.





