Torcedores querem voltar ao Brasil
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Agência O Globo 
Berlim - ''Agora só quero ir para casa e ver minha família''. A frase dita por Ronaldinho Gaúcho depois da derrota para a França poderia sair da boca de muitos brasileiros na Alemanha. Sem o final feliz para a viagem perfeita, eles agora repensam a estratégia de ataque para as férias em território alemão. Uns querem voltar para casa, e já. Outros mudaram o enfoque da viagem: do futebol para o turismo. Outros continuam movidos a futebol, mas agora torcem ou para o Portugal de Felipão, ou para a Alemanha anfitriã. Unanimidade, apenas uma: o encanto da viagem acabou. ''Eu e meu marido estamos desesperados para voltar para o Brasil. O clima se quebrou completamente'', resume a arquiteta carioca Regina Prior, 50 anos.
Regina faz parte da torcida oficial brasileira (por oficial, leia-se ''com ingresso para jogos do Brasil'') e está na Alemanha desde o início da Copa. Está hospedada em Colônia e viu todos os jogos da seleção nos estádios. Mas diz que veio ver futebol, já passeou bastante e agora não tem mais o menor interesse em ficar no país. Assim como ela, cerca de 30% dos 1.800 que compõem o grupo nesta segunda fase da Copa anteciparam sua volta para casa, ou estão tentando fazê-lo.
Segundo a assessoria de imprensa da operadora de turismo Planeta Brasil, responsável pela torcida brasileira em Colônia, outros 30% (540 pessoas) resolveram aproveitar a temporada para viajar pela Europa de preferência para países onde não sintam cheiro de mundial, como Bélgica, República Tcheca e Holanda. Os demais 40% continuam na Alemanha e vão manter o plano inicial de viajar para Munique e Berlim, embora não tenham mais ingressos para a semifinal e a final nas duas cidades (o pacote era apenas para jogos do Brasil).
Muitos dos que querem antecipar a volta para casa estão esbarrando em outra seleção brasileira em crise: a Varig. Desde domingo Regina tenta mudar a data de sua passagem, marcada para o dia 11, mas sem sucesso. No atendimento da Varig, os passageiros são orientados a entrarem em lista de espera e tentarem fazer o check-in em Frankfurt no dia do vôo desejado o que envolve chegar à cidade correndo o risco de não embarcar.
''Mas a maioria das pessoas que chegam nessa situação está conseguindo embarcar'', assegura Guillermo Santandreu, gerente da Varig no aeroporto de Frankfurt. ''Estamos tendo bastante trabalho para remarcar vôos. Desde sábado, entre 30 e 50 pessoas por dia estão antecipando a viagem para casa''.
Segundo Santandreu, os dois vôos diários de Frankfurt para o Brasil estão saindo lotados, cada um levando mais de 500 passageiros. Quem está em lista de espera e não consegue embarcar, porém, tem que ficar na cidade por conta própria. O estudante baiano Thiago Santos, 22, resolveu tentar mesmo assim.
''O meu vôo saía hoje (ontem) de Munique, mas como os vôos de lá foram cancelados eles remarcaram a minha passagem para o dia 13. Mas não posso ficar tanto tempo aqui. Meu dinheiro acabou'', disse ele no aeroporto, na fila de espera para o vôo das 22h30m.
O gerente comercial Marco Aurélio Barbosa, 41, chegou a Frankfurt com outros seis amigos para tentar conseguir ingressos para as quartas-de-final. Cada um acabou pagando cerca de 500 euros a cambistas. ''Não me arrependo pelo dinheiro. Quando é que ia conseguir ver outro jogo desses? Mas todos ficamos muito frustrados. Depois da partida, nosso tesão pela viagem morreu'', concluiu.


