Torcedores provocam muitos conflitos nos arredores do estádio
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segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O clima entre torcedores do Cruzeiro e do Corinthians foi bastante tenso, ontem à tarde, nos arredores do Mineirão, quando ainda faltavam mais de três horas para o início da decisão do Campeonato Brasileiro. Até as 15h30, 30 feridos - sendo que 27 eram corintianos - haviam sido atendidos na enfermaria da Administração do Estádio Governador Magalhães Pinto, com hematomas e cortes provocados por pedradas e garrafadas.
Um dos casos mais graves, na enfermaria, era de uma torcedora da Gaviões da Fiel, que pediu para não se identificar. Ela apresentava um ferimento profundo perto do olho esquerdo e tinha sangue espalhado pelo rosto, braços e por toda a roupa. Segundo o líder de um dos 60 ônibus da Gaviões, Flávio Martins, de 34 anos, a confusão entre os torcedores dos dois times foi provocada pela Polícia Militar de Minas. Os ônibus da torcida foram escoltados por dezenas de soldados da barreira da Polícia Rodoviária Federal, da rodovia Fernão Dias (entrada de Belo Horizonte), até o Mineirão.
O problema - explicou Martins - foi que, assim que chegaram ao estádio, em frente à portaria de nº 13, os ônibus teriam sido abandonados pelos policiais, bem no meio da torcida do Cruzeiro.
Os cruzeirenses nos cercaram, aos milhares, e nos deram uma verdadeira chuva de garrafadas e pedradas, disse o corintiano. E os poucos policiais que estavam com a gente, em vez de nos proteger, também nos agrediram com socos e pontapés, acrescentou.
O comando da PM, que mobilizou cerca de mil homens e mulheres para garantir a segurança no Mineirão, rebateu a acusação de Martins, alegando que tentou dar proteção aos torcedores paulistas. Escoltamos os ônibus desde a região de Betim, perto de Belo Horizonte, até ao estádio. E, ao chegar, pedimos aos torcedores que aguardassem para deixar os veículos, porque faríamos cordões de isolamento, afirmou o tenente-coronel José Aguilar, coordenador do policiamento para a partida. Eles é que não tiveram paciência e foram descendo dos veículos, acrescentou. Também um dos diretores da Ademg, Dirceu Pereira, procurou amenizar as acusações dos corintianos. Nosso esquema de segurança está completo e tem até helicópteros, ressaltou.
A informação da PM, porém, foi duramente contestada por diversos outros integrantes da Fiel e também da Camisa 12, como Luiz Samir, de 23 anos, que foi para a enfermaria do estádio com o ouvido sangrando, em consequência de uma pedrada.
Um dos mais exaltados, entretanto, era o corintiano Cléber Rogério Horat, de 24 anos. Ele gritava, chamando os policiais mineiros de incompetentes e ignorantes, e dizia temer por uma tentativa de revide por parte de seus companheiros. Tem muita gente boa na torcida do Corinthians, mas também existe muito maloqueiro, como nos chamam, capaz de fazer coisa pior do que dar garrafada e pedrada, afirmou.
Durante a confusão entre torcedores, na porta do estádio, também houve feridos do lado cruzeirense. Ralf Rodrigues e a filha Rafaela, de cerca de 20 anos, foram atingidos por um rojão, supostamente deixado no local por torcedores da Gaviões da Fiel, quando os dois tomavam refrigerantes em uma barraquinha de camelô. Ralf e Rafaela foram levados ao pronto-socorro.
Caras pintadas - Embalados pelas festas da Copa do Mundo, vários torcedores cruzeirenses decidiram pintar o rosto de azul e branco para colorir o Mineirão. Apesar do forte calor, eles fizeram questão de circular pelo estádio, exibindo, na pele, o símbolo da equipe.
A pintura já virou uma mania em Belo Horizonte, explicou o microempresário Herbert José de Oliveira, de 33 anos.
Oliveira garante que a tinta é fundamental para espantar o mau-olhado dos atleticanos, eternos rivais. Como eles não ganham nada, ficam trazendo azar para a Raposa, provoca.


