Frustração. Não há outra palavra para definir a sensação do torcedor ontem após o fim do jogo entre Brasil e México, pela segunda rodada da Copa do Mundo. O empate em 0 a 0 não era o que se esperava da turma de Neymar e Cia.
Os torcedores lotaram os bares de Londrina na expectativa de comemorar mais uma vitória da seleção brasileira. Antes da partida, o clima era de festa. "Vai ser 3 a 0 para o Brasil. O Neymar vai marcar dois gols", apostou a estudante Danieli Oliveira, de 21 anos.
Nem o Brasil nem Neymar conseguiram furar a muralha mexicana que atendia pelo nome de Guillermo Ochoa. A cada defesa milagrosa do goleiro do México era um festival de lamentações.
Com a partida sem gols, muita gente acaba desviando as atenções e o clima de jogo muda para o de paquera ou mesmo um bate-papo de mesa de bar. "Ah, esse jogo está muito sem graça. O negócio é conversar, mesmo", reclamou o microempresário Valdemir Gonçalves de Souza, de 42 anos.
Para os garçons, a situação é ainda pior. Enquanto servem, o jogo vai rolando e o jeito é dar uma espiadinha entre um pedido e outro. "A gente fica dando uma olhadinha de vez em quando, mas quando o pessoal se agita e levanta, aí paramos para ver o lance de gol", contou Alan Sandro Pires, de 33 anos.
Pires garante, no entanto, que esses desvios de atenção para ver o jogo não comprometem os pedidos. "Trabalhamos com tecnologia avançada. Fazemos o pedido por um aplicativo de celular e já registra. Não dá para esquecer", garantiu.
Ele não se lembra qual foi a última edição da Copa do Mundo em que pôde assistir tranquilo, em casa. "Lembro que em 98 (na Copa da França) eu trabalhava em um bar bem tranquilo e conseguia ver", contou.
No final, ele acabou se rendendo à torcida. O motivo era o bolso. O garçom era o único apostador que cravou 1 a 0 para o Brasil. Por isso, queria tanto um golzinho brasileiro para faturar R$ 360,00. Mas não deu.
Ao apito final, o clima foi de decepção. "Achei fraca a atuação do Brasil. Esperava um jogo difícil, mas achava que o Brasil sairia com a vitória, faria pelo menos um gol", lamentou o gerente comercial Wilson Costa, de 58 anos.

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