Torcedores ficaram divididos
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Carolina Avansini e Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Sardinha na brasa e cervejinha gelada alegraram o almoço de um grupo de portugueses que se reuniu na Casa de Portugal de Londrina, no Jardim Califórnia (Zona Leste), para assistir ao jogo entre as seleções brasileira e portuguesa, ontem. E a paixão pelos dois países dividiu a torcida, para quem o empate seria o melhor resultado.
O comerciante João Marques Esteves Coluna até tentou trocar o canal da tevê e colocar numa emissora portuguesa para ouvir a narração na língua mãe, mas não teve sorte: o canal português optou por não transmitir a partida. ''Para mim, o empate não desagrada ninguém'', resumiu Coluna, entre uma garfada na sardinha e olhos no jogo.
Vindo de Portugal para terras brasileiras aos 19 anos para fugir do exército, ele chegou a Londrina em 1961 e nunca mais voltou. ''Digo que sou mais brasileiro que os próprios brasileiros pois escolhi ser naturalizado'', brincou o comerciante, que acredita mais na seleção brasileira na final do que no avanço dos craques portugueses na Copa. ''Mas que vença o melhor'', disparou.
Recém-eleito presidente da Casa de Portugal de Londrina, o português Henrique Manuel da Silva Ferreira decidiu reunir a diretoria da associação para assistir ao jogo ontem, para homenagear a colônia londrinense. Para ele, que chegou ao Brasil ainda pequeno, o empate seria o melhor resultado: ''Brasil ou Portugal ganhando é igual, o importante é a confraternização''', declarou Ferreira, que torce para que o Brasil seja hexacampeão.
Já entre os descendentes, portando camisas de clubes brasileiros e argentinos, a bola da vez é Portugal. ''Somos fãs dos argentinos, por isso queremos que Portugal vença o Brasil'', bradaram.
Em dois bares vizinhos, localizados no condomínio Centro Comercial (Área Central), a movimentação de clientes durante o jogo teve muita chacota. Isso porque os proprietários dos estabelecimentos são portugueses e torceram praticamente sozinhos para o time que enfrentou a seleção brasileira.
Lucílio Antunes Anacleto torce para Portugal, mesmo morando em terras brasileiras, desde que chegou ao País há 48 anos. ''Os clientes tiram sarro, mas não me incomodo'', disse ele, que apoia o Brasil nos jogos em que a seleção enfrenta outros países.
Carlos Vinícius Souza Leite é cliente do bar e só assiste aos jogos no local quando o embate é entre as duas seleções. ''A gente tenta deixar o Lucílio nervoso, mas ele não se abala'', contou. Paulo César Almeida estava no balcão pelo mesmo motivo e garantiu que, se o Brasil sair e Portugal continuar, torcerá contra os lusitanos só para provocar o amigo.
No bar do português Jaime Santos Mendes Gomes, a torcida brasileira contra a manifestação quase solitária dele e do filho é benvinda. ''Não me incomodo com as piadas, gosto mesmo é da bagunça.''


