Torcedores com ingressos são barrados
Lúcio Horta
De Londrina
Não bastasse a confusão que ocorreu no primeiro jogo do Brasil no Pré-Olímpico, quando muitos torcedores acabaram voltando para casa por causa da superlotação do Estádio do Café, ontem a situação piorou. Havia, visivelmente, um número maior de torcedores do que na partida contra o Chile, no dia 19. Ao contrário daquele partida, ontem até o barranco ao lado da arquibancada oposta às cabinas de televisão estava cheio de torcedores.
Os portões do estádio foram fechados quando ainda havia muita gente com ingresso na mão do lado de fora. A revolta foi imensa, e os impedidos de ver o jogo do Brasil não pensaram duas vezes em eleger a administração municipal como a grande culpada:
Ladrão, ladrão, ladrão - gritavam os nervosos torcedores.
A decisão de fechar os portões foi tomada pelo major Manoel, da Polícia Militar, que temia que um incidente mais grave pudesse ocorrer por causa da superlotação. Não vamos falar em desgraça, vamos pensar positivo, disse o major, pouco antes de decidir pelo fechamento.
O secretário municipal de Fazenda, Jair Gravena, achou que a decisão foi precipitada e que cabia todo mundo dentro do estádio. Assim como a imprensa, nós ficamos apavorados (com a confusão na porta do estádio), a polícia também ficou. Houve precipitação, assim como houve no outro jogo, afirmou Gravena.
No primeiro jogo da seleção, foram colocados à venda 40 mil ingressos e, depois, uma carga suplementar com outros 8 mil. Como houve confusão, desta vez a organização colocou à venda 38 mil ingressos e ainda assim faltou lugar no Estádio do Café. A única explicação dada pelo secretário de Fazenda para este fato é que o estádio está diminuindo.
Eu não tenho outra explicação. Trabalho com medição de engenheiros - disse Gravena.
Por volta das 21 horas, a polícia chegou a liberar a entrada de aproximadamente 100 pessoas que estavam se espremendo nas roletas entre elas, mulheres, idosas e crianças. Mesmo assim muita gente ainda acabou ficando do lado de fora: tiveram de amargar a decepção de não ver a partida, mesmo com o ingresso na mão alguns deles comprados minutos antes, de cambistas; outros, com muitos com dias de antecedência. Foi o caso de Josineri Teodoro de Oliveira, que veio de Janiópolis, a cerca de 300 quilômetros de Londrina, com outras quatro pessoas. Compramos o ingresso há três dias e agora estamos aqui, com o ingresso na mão.
Por volta das 21h45, um grupo de torcedores ainda tentou forçar o portão lateral. Mas a Polícia Militar agiu rápido e impediu.
Quem conseguiu entrar, apesar do alívio de ver a seleção, não dispensou críticas à organização. Fiquei um tempão lá fora, é uma sacanagem. Fiquei preso lá com moleque chorando no colo, e minha esposa do lado de dentro, reclamou Hércules Martins da Silva, 28 anos, que estava com o filho Rodrigo, de quatro anos. Eles vieram de Cascavel somente para assistir ao jogo. E o pior é que é a segunda vez que isso acontece. Já deveriam ter aprendido.





