Torcedores causam tumulto na chegada do Corinthians ao Japão
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2012
Raphael Ramos e Vítor Marques<br>Agência Estado 
Nagoya, Japão - O esquema de segurança "padrão Neymar e Santos" montado para o Corinthians não funcionou ontem na chegada da delegação ao hotel Hilton, em Nagoya. Houve muito tumulto e a porta do estabelecimento quase foi arrombada por torcedores. Em reunião com o estafe da Fifa, a diretoria corintiana deverá pedir, além de reforço no número de seguranças, isolamento maior da área de entrada e saída dos jogadores.
Os dirigentes estão preocupados com a possibilidade de os atletas serem encurralados por torcedores sempre que a equipe entrar ou sair do hotel. Como a maior parte da torcida alvinegra ainda não chegou ao Japão, a tendência é que a aglomeração aumente com o passar dos dias. Para evitar nova confusão, deve ser adotado esquema semelhante ao do primeiro jogo da final da Copa Libertadores, em Buenos Aires. Naquela ocasião, seguranças do hotel isolaram a portaria e a calçada e só permitiram a entrada de hóspedes ou convidados.
O hotel onde o Corinthians ficará hospedado até a próxima quinta, dia seguinte ao da semifinal do Mundial, é o mesmo que o Santos usou no ano passado. Por causa disso, funcionários do Hilton e da Fifa montaram um esquema de segurança semelhante ao de 2011, mas foram surpreendidos pelos mais de 200 torcedores que recepcionaram o time nesta quinta.
No ano passado, a preocupação dos seguranças era quase que exclusivamente com Neymar. O craque santista era o centro das atenções dos japoneses, mas o assédio era muito menor se comparado ao vivido pelos corintianos logo no primeiro dia de estadia no Japão.
Na semana passada, líderes da subsede da torcida organizada Gaviões da Fiel no Japão se reuniram com seguranças do Hilton e definiram que apenas alguns torcedores credenciados antecipadamente teriam acesso ao lobby. Nesta quinta, no entanto, eles acabaram surpreendidos com comportamento de alguns torcedores vindos do Brasil, que se recusaram a esperar os jogadores na calçada - a temperatura era de 7ºC - e ficaram nas dependências do hotel bebendo cerveja e gritando cantos da guerra. Um torcedor chegou a ser retirado à força de dentro do hotel.
Na tentativa de impedir a entrada de mais torcedores no hotel, a segurança formou um cordão de isolamento com grades e colocou uma placa na portaria dizendo que era proibida a permanência de corintianos nas dependências do local. Em vão. A polícia foi chamada, mas também não conseguiu conter os torcedores, que não respeitaram a ordem de deixar a passagem livre para que o ônibus estacionasse na porta do hotel. Assim que o veículo com os atletas dobrou a esquina, os corintianos tomaram a frente do hotel e passaram a gritar "o Coringão chegou", dificultando o trabalho do motorista e dos seguranças.
Chefe da segurança do Corinthians, Waldir Dutra foi o primeiro a aparecer na porta do ônibus. Assim que avistou o "mar de torcedores" à sua frente, ele avisou ao staff da Fifa e ao do Hilton que seria impossível os jogadores passarem por ali. Torcedores começaram a ser empurrados a fim de abrir caminho para os torcedores. Houve confusão. Os atletas conseguiram passar, mas funcionários do departamento de futebol que carregam equipamentos, como o roupeiro e o massagista, ficaram para trás. Com a porta já fechada, eles foram impedidos de entrar no hotel. A pressão dos torcedores aumentou e a porta quase foi arrombada.
Susto
Após tomarem um susto no voo de Dubai para o Japão (uma problema em uma das portas do avião fez com que Chicão e Paulo André fossem retirados de suas poltronas), o Corinthians desembarcou nesta quinta no aeroporto de Narita, onde foi recebido por cerca de 30 torcedores.


