Hamelin - Tão bem tratada em Frankfurt no último sábado, a bola reencontrou Zinedine Zidane ontem de manhã. Depois de um dia inteiro de descanso no castelo de Munchhausen, concentração da seleção francesa nos arredores de Hamelin, o craque voltou aos treinos com os companheiros.
Mas apenas a imprensa pôde vê-lo exibir sua categoria em duplas de futetênis, com a rede baixa e um quique permitido. Mesmo assim, por apenas 15 minutos. Depois disso, todos foram retirados. Pior ainda para os cerca de 50 fãs que esperavam ver o craque e foram barrados pela Federação Francesa. Para impedir a visão do campo de treinos, foram instalados enormes plásticos pretos nas grades. Alguns ainda tentaram se esticar perto de um dos portões, mas nada viram. Uma atitude antipática na véspera da viagem para Munique, hoje de manhã.
Avesso a entrevistas, Zidane só participou das coletivas organizadas pela Federação uma única vez, antes da estréia contra a Suíça. Após a vitória sobre o Brasil, sequer passou pela zona mista da Fifa, o que, em tese, deveria ser obrigatório para todos os jogadores das duas equipes. Com Zidane calado, só os companheiros falam por ele. ''Zidane está muito bem, feliz, motivado. Não é surpresa o que ele fez no jogo contra o Brasil. Graças a Deus não sou eu que tenho de marcá-lo'', brincou Thuram.
Na clausura do castelo de Munchhausen, cercado de seguranças 24 horas por dia, Zidane tem dedicado alguns minutos para aconselhar Ribery, principal promessa do futebol francês e que alguns já até cometem a heresia de citá-lo como substituto natural do camisa 10 como ídolo dos ''bleus''. ''Ele sempre me dá muitos conselhos. Diz que eu tenho de cadenciar o jogo às vezes. Quando pego a bola, gosto de partir em direção ao gol e nem sempre é a melhor opção. Jogar ao lado de Zizou é um privilégio e um aprendizado sempre.''
Brasil Freguesa em Copas nas últimas duas décadas, com três derrotas em três confrontos (1986, 1998 e 2006), a seleção brasileira virou cachorro morto para os franceses. Ontem, eles chutaram à vontade. O mesmo Lilian Thuram que antes do jogo em Frankfurt classificara o Brasil como ''a melhor definição de futebol'', agora tem um discurso bem diferente. Para ele, eliminar os pentacampeões até que não foi difícil perto do que vem por aí na semifinal contra Portugal.
''É mais difícil derrotar Portugal do que o Brasil'', afirmou, justificando sua tese em seguida. ''A seleção portuguesa tem um grande poder defensivo, sabe atuar compacta, exatamente como a França. Vai ser um jogo bem fechado''.
Uma opinião que não distingue veteranos ou jovens. Fazendo coro ao zagueiro de 34 anos, o apoiador Ribery, de apenas 23, também há coisa bem pior do que ter o eliminado quadrado mágico pela frente. ''Não tenho dúvida de que será muito mais difícil passarmos por Portugal do que foi contra o Brasil. É uma seleção mais organizada em campo'', disse.

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