Torcedores ameaçam jogadores do Timão
Recife - Acabou a paz no Corinthians. A lua-de-mel entre torcida e time, resultado da boa campanha na temporada pouco tempo depois do vexame do rebaixamento para a Série B, durou até a derrota na decisão da Copa do Brasil. Ontem, no Aeroporto dos Guararapes, cerca de 15 torcedores esperavam a delegação corintiana que chegava para embarcar a São Paulo. E só não agrediram parte do grupo porque a polícia e os seguranças do aeroporto e do clube agiram.
Os mais criticados foram o goleiro Felipe e o atacante Dentinho, mas sobrou xingamento para quase todo mundo, com exceção de duas pessoas: o atacante argentino Herrera e o técnico Mano Menezes. Nenhum corintiano falou com os jornalistas.
O elenco chegou ao aeroporto por volta das 15h30. O vôo estava marcado para as 16h10. O clima, que estava aparentemente tranqüilo, esquentou logo que os primeiros jogadores desceram do ônibus. De outro portão surgiram os torcedores, vestindo camisas do clube ou de campanhas como a Nunca Vou Te Abandonar, criada após o rebaixamento.
A polícia agiu rápido e criou uma espécie de corredor, pode onde passaram os jogadores, membros da comissão técnica e diretoria até o acesso para a sala de embarque. Só não pôde evitar as agressões verbais. Felipe e Dentinho foram chamados de pipoqueiros, entre outras palavras impublicáveis. Andrés Sanchez era o incompetente.
Perdigão estava logo na frente de Mano Menezes na fila, quando o torcedor mais exaltado, que ironicamente usava uma camisa com os dizeres Quero Paz, furou o bloqueio e se dirigiu ao volante praticamente colocando o dedo em seu rosto. Quando viu Mano, passou a gritar que a culpa não era do técnico e sim dos amarelões. O torcedor exaltado foi contido pelos policias pelo pescoço, mas não foi preso. Com o cartão de embarque nas mãos, ele entrou para a sala, mas pegou um vôo que saiu pouco antes do corintiano e não teve nova tentativa de agressão.
Do lado de fora o clima continuou quente porque alguns corintianos começaram a discutir com torcedores do Sport. Eram muitos os pernambucanos que circulavam pelo aeroporto com a camisa rubro-negra. A polícia teve novamente de intervir depois de alguns empurrões.
O Corinthians esperava ser pressionado por torcedores no aeroporto de Recife, tanto que pediu escolta policial do hotel onde estava hospedado, na praia de Boa Viagem. O reforço também foi orientado a acompanhá-los até a área de embarque. O rosto dos atletas mostrava certo receio de agressão, principalmente daqueles que participaram da campanha do rebaixamento, em 2007, e também tiveram problemas em embarques e desembarques. (A.E.)





