Daqui a oito dias a bola vai rolar na África. Dia 11 de junho começa o principal campeonato de futebol do planeta: a Copa do Mundo 2010. A seleção brasileira é a maior campeã e a única que foi para todos os mundiais. O país inteiro para em dia de jogo do Brasil. Nas empresas e escolas, funcionários e alunos são dispensados. Até nos bancos os horários de atendimento mudam. Tudo para ver o Brasil na televisão. Mas há quem 'quebrou o porquinho', pegou todas as economias e embarcou para ver de perto o mais contagiante torneio do mundo da bola.
Ari Sudan Júnior, de 23 anos, está de passaporte na mão. Vai ver a seleção em campo pela primeira vez na vida. Diferente do padrão ''fã de futebol'', o garoto não é daqueles que sabem tudo sobre os jogadores na ponta da língua. Sudam Jr. é um cara que gosta de esportes. Pratica natação, tênis e musculação. Reconhece até que é ruim de bola, mas tem nas veias uma razão para assistir todas as Copas possíveis daqui para frente.
''O meu avô já foi para quatro Copas. Na Suécia (1958), Inglaterra (1966), México (1970) e Espanha (1982). Ele viu quando o Brasil conquistou o tri em 1970, no México. Desde criança escuto ele falando que gostaria de me ver seguindo seus passos. Que eu fosse para as Copas também. Sonho em ir para a Copa desde criança'', declara o garoto que preteriu os pacotes das agências de turismo para optar por uma aventura de mochila nas costas.
Sudan Júnior não vai sozinho. O estudante de direito escalou o companheiro Antônio Carlos Bellozo Marcondes, o Kais. Com duas empreitadas no currículo, França (1998) e Alemanha (2006), o colega que trabalha como advogado se encarregou de comprar os ingressos, reservar os hotéis e planejar o trajeto. Ele calcula que é possível gastar cerca de US$ 6 mil (R$ 10,8 mil) por pessoa, para ver Copa inteira.
''Se você pesquisar, com o valor de um pacote de agências referente a uma semana dá para passar a Copa toda na África por conta própria, ficando em hotéis diferentes. Tanto que existem muitos pacotes encalhados'', explica o advogado.
Marcondes é quem chega primeiro no continente africano. Ele comprou as entradas para todos os jogos do Brasil desde a estreia no dia 15, contra a Coreia do Norte, até as quartas de final, desde que a seleção canarinho fique em primeiro lugar no grupo G. ''Tenho o ingresso da final também. Mas consegui de última hora. Meu irmão desistiu e acabei ficando com a entrada dele'', explica.
Na sequência, Sudan Júnior viaja para pegar o trajeto da seleção rumo ao hexa a partir do dia 17 de junho, para não reprovar por faltas na faculdade. Ele assiste ao Brasil jogar contra Costa do Marfim, dia 20, e Portugal, dia 25, na fase classificatória, em Johannesburgo e Durban. Ele tem ainda as entradas para os dois jogos seguintes nas oitavas e quartas de final, caso o Brasil fique em primeiro lugar no grupo.
''Se der tudo certo vou assistir quatro jogos do Brasil. No dia 3 de julho vou para a Europa e talvez veja a semifinal e a final de lá'', explica. Porém, admite que se o time de Dunga estiver indo bem, dependendo da procura de ingressos, ele não descarta a possibilidade de ver o restante do campeonato. ''Se forem para a final não vai ter jeito. Não é sempre que você vai ter essa chance'', emenda. Pela falta de voos diretos para a África, a dupla viaja com escala na Europa, mais precisamente em Madri, na Espanha.

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