Torcedora narra sofrimento em Joinville
Paulo WolfgangNilcéia Morais: Valeu a penaTorcedora
narra sofrimento
em Joinville
Como sofremos, meus Deus! Mas valeu a pena. Eu e meus companheiros da Falange Azul saímos de Londrina às 9h15. Pegamos o ônibus em frente ao VGD. Às 13 horas, estávamos em Ponta Grossa e demos uma rápida parada. O motorista precisou trocar um dos pneus, que furou. Tínhamos pouco dinheiro, que só dava pra pagar o ingresso - dez paus. Comemos umas baboseiras pra forrar o estômago. Não daria pra almoçar nem pra jantar.
Lá pelas oito da noite, chegamos em Joinville. A PM, muito legal e educada, nos aguardava na entrada da cidade. Fomos direto pro estádio. A patota da Falange - estávamos numas 45 pessoas - ficou aglomerada em um dos setores das arquibancadas. Lá no meio, só eu de mulher. Não parávamos de gritar o tempo todo. Era Tubarão pra cá, Tubarão pra lá.
Logo no comecinho, os caras marcaram um gol, mas não perdi a fé. Deu aquela agonia, mas eu e meus colegas passamos a gritar ainda mais. Veio o segundo tempo. Aí o Mauro lascou aquele golaço de arrepiar. Bateu uma esperança mais forte.
O relógio rodava e a gente quase morria do coração, mas não parava de gritar. Até agora, não consigo falar direito. Já estava muito rouca e sem voz no instante em que o raçudo do China chutou lá de longe bem no ângulo. Era como se a gente acordasse de um sonho.
Nilcéia Aparecida
de Morais, auxiliar de
cozinheira desempregada





